Darwinismo político

Paulo Rosenbaum

03 Dezembro 2013 | 13h46

É só impressão ou estamos indo no ritmo da contramão universal? Então quem faz leis têm a prerrogativa e aval para desobedece-las? E quem se submete a elas não tem foro privilegiado nem alambrado?  Como discordar do que passa a ser arbítrio? Se o legislador tem o aval para, mesmo sendo infrator, continuar legislando, quem protegerá a sociedade das leis autocráticas ? Ah, sei, um artigo jornalístico demanda  frieza analítica  e obsequiosidade. Portanto escritor, controle já tua indignação! Parem tudo! Esse é um dos problemas. Controlamos demais a injuria, precisamos é liberta-la da várzea não civilizatória ditada goela abaixo. Os heróis que nos assistem são voláteis, inconsistentes, anti exemplos.  Se há gente sofrendo nas prisões — e quem não fica dividido quando se trata de doença —  que se promova uma reforma, para todos.  Nas mãos dos novos oligarcas,  a isonomia transformou-se em darwinismo político. As poucas vozes lúcidas do partido morrem cedo ou são exiladas.

No país que registrou o maior número de homicídios no mundo (2012) e onde vicejam 9 milhões de jovens em casa, quem está em prisão domiciliar?

Criticar abusos e vislumbrar o desastre fiscal que se anuncia virou sinonimo de reacionário, palpite de pessimista ou coisa da elite. Mas quem abandonou o ideário de uma esquerda arejada pelo pragmatismo claustrofóbico foram os vencedores. No emaranhado de anedotas que o poder nos prega, está essa semente da desarmonia social. Uma espécie de transgênico político incubado nos porões do grande projeto de poder.  Fôssemos um país com acesso à educação e informação, contássemos com uma oposição minimamente organizada, eles é quem estariam acuados, e com índices compatíveis com a gestão temerária que executam.

E seriam chamados pelo que realmente são, camaleões, que para confundir a sociedade, enfiam a cauda onde for necessário. Para nossa sorte nenhuma camuflagem dura para sempre.