Direitos do sujeito

Direitos do sujeito

Paulo Rosenbaum

12 de abril de 2015 | 11h10

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Uma palavra ronda o mundo. Ela aparece as vezes e é recolhida por varredores descalços. A paz que queremos é inviável, a possível não é a que desejamos. O impasse supera os limites e alcança outras margens: as borradas da justiça social. Mas quem aceitará que a solução esteja em expropriações? E desde quando as revoluções forjaram paz? E a partir do que deveríamos consentir que luta de classes faz parte do glossário da democracia?

O encontro no Panamá têm sido um termômetro do estado político da América Latina. “não importam os direitos humanos, o que nos interessa são os direitos sociais” soltou de chofre um de nossos mais veementes bolivarianos. Alguém parou para pensar no que isso significa? E, pelo que se lê “mau jornalismo” é aquele que se emancipa do poder. Neste caso do que será que reclamam, considerando a concentração e uso das verbas publicitárias estatais?

 Não se pode assistir o alinhamento totalitário está sendo tratado como acordo entre cavalheiros. Uma coalizão de autoritários em consensos.  E, sem o alarmismo de qualquer extremismo, pode-se inferir que estamos engolindo em seco com a justificativa de que não queremos encrencas. Mas já não se trata mais de evitar. Estamos diante dela. Em meio a uma transformação que nos exigirá décadas para salvar o que dela restou de salutar.

Muitas situações históricas exigiram resistência, mas hoje colhemos inércia. E, como se sabe, passividade nunca foi o núcleo duro da diplomacia. A abulia da oposição desconsidera consequências imediatas da inação ou da ação tardia, o que dá no mesmo. Quase irracional, intuitiva e instintiva, resistir ao avanço do totalitarismo – não importa qual a justificativa nem o matiz ideológico – pode ser o sinal de fumaça. O colapso da paz futura.

O presente  mostra um instantâneo, mas é através dele que se pode predizer as próximas cenas. Emudecer frente a máximas já quase naturalizadas de que os “direitos sociais estão na frente dos direitos humanos e da liberdade”, é a cumplicidade máxima. Literalmente, carro na frente dos bois. É consentir que eles estão no controle. É assumir que aceitaremos seus decretos. É a renúncia branca ao direito de ser sujeito, antes de um aglomerado.