Eis o som dos omissos.

Eis o som dos omissos.

Paulo Rosenbaum

21 de novembro de 2020 | 22h41

Benjamin Franklin (cartaz em Pasadena- Ca) P.R

 

 

 

 

 

Eis o som dos omissos.

Por que não se expressam?

O que está ocorrendo no interior das cortes?

Que tipo de reino nos preparam?

Quem desfila nas passarelas da casa dos representantes?

Que leis formulam?  Quais legislações perduram?

Por que a cidade foi escondida?

Por que não se expressam?

Porque sabem o valor do medo

E conhecem o silencio que assusta.

Por que não se expressam?

O que há de tão especial ai, no planalto distante?

Manter a opinião pública calada,

A sociedade aviltada?

Planejaram quadras desertas e estradas estreitas

Constranger a circulação? Caminhadas rarefeitas?

Por que não se expressam?

Porque usam aqueles que vociferam te esperando na entrada

Há boatos que virão e devastarão a terra devastada

A ameaça veiculada por palavras de desordem

E narrativas viciadas no conflito

Vez por outra, invasão, veneno, vírus, espoliação, arbítrio

Do front, um porta-voz grita,

Enxergam-se flamulas, um exército de anarquias

A fumaça subindo dos acampamentos

Por que não se expressam?

Os bacharéis não se abalam com o alvoroço

Cultivam feras criadas, guardadas à espreita

Por que não se expressam?

E o que dissimulam nas leis que reformulam?

Por que não se expressam?

Porque eles podem vir hoje, ou nunca

A audácia é oportuna

Por que não se expressam?

Porque precisam do movimento desordenado

Preferem as massas, repudiam sujeitos

Intuíram, que singularidade e emancipação

São problemas avessos à solução

Por que não se expressam?

Porque querem justificar vitórias antecipadas

Notaram que há quem subscreva a liberdade

Por que não se expressam?

Detectaram, eles e seus sequitos, devotos

que crescem os ruídos contra seus votos

Leis? Não formulam, qual atenção emulam?

Por que não se expressam?

Porque a inércia é exata, calculada

Desorientação pautada na bússola, viciada

Por que não se expressam?

Porque a casa de representantes opera na surdina

E a noite é o manto para reuniões nas madrugadas

Estais programando a neutralidade?

Por que não se expressam?

No luxo do parlamento, um magneto sem norte

As comendas e auto congratulações não param

Enquanto o povo vive à própria sorte

Por que não se expressam?

Para aumentar o volume das ameaças selvagens

E encobrir o rumor das urbes abandonadas

Porque enfim redigiram a lei sumária

Eis o som dos omissos

Por que não se expressam?

Porque calaram todos,

e a expressão,

já não é mais necessária.

 

 

 

 

 

 

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