Estoicismo de Estado

Estoicismo de Estado

Paulo Rosenbaum

29 Outubro 2013 | 14h33

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Ministro da Justiça afirma que não há necessidade da Força Nacional em SP

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Podemos ficar boquiabertos, perplexos, tanto faz. Seja o que for, o que testemunhamos nos últimos dias não é um nenhum fenômeno inédito. Estradas tomadas, reféns em massa, incêndios a esmo. Há décadas, contingenciados nas margens das grandes cidades, estão milhões de pessoas que não participam da cidadania. Não foram convidados ou não têm o desejo. Ninguém é isoladamente responsável, ainda assim a culpa é coletiva. Este estatuto de sub cidadania que o Estado e a sociedade proporcionam a importantes parcelas da população é o contexto real das eclosões violentas. A raiva e a revolta tornam-se instrumentos que se desencaminham para tumultos e vandalismo. Nota-se também que movimentos como o passe livre, o qual nitidamente teve usufruto político com o abre alas destrutivo, já não dita nem controla agenda nenhuma. Criaram a onda, sem estimar o alcance da maré. A fúria descentralizada se vira contra a própria sociedade e uma  parcela considerável de indignados com capuz outorgam-se aval para arruinar o dia e a vida de milhões. O que se espera do Estado? Tudo, menos o improviso e a leniência. Ninguém quer twitadas da presidente anunciando o horror da barbárie como se ela reinasse em nação distante. Dizem que na escola dos estóicos finge-se que nada está acontecendo. Ações condescendentes com a violência partisã, medidas pseudo-apaziguadoras e a inação, sobretudo ela,  não trazem resultados esperados e excitam a farra piromaníaca. Não só as forças de segurança devem atualizar seus comandos para fazer a justa contenção — sem excessos ou omissão  — como não é mais suportável que o ruído das fogueiras permaneça ignorado pelos políticos e por quem foi escolhido para governar. O mínimo de atitude republicana que se esperava era que, por hora, colocassem as eleições em estado de animação suspensa. Só uma coalizão de forças, suprapartidária e transgovernamental  seria decente em momento tão grave e sinistro. A única alternativa saneadora são as ações preventivas e a reintegração de todos os cidadãos. Sem a sensação de pertencimento tudo sempre parecerá hostil para estes jovens. Agora já há um morto. Sem correção, conflagrações civis tendem a ser mais volumosas, contundentes e imprevisíveis.  O pior cenário diante do sonoridade da crise é um Estado estoico. Municipal, estadual ou federal, o preço da hesitação é acumulativo. Nesta tarda anarquia que se espalha por cópia, só cabe uma previsão: desordem sem progresso.