Giros em falso

Giros em falso

Paulo Rosenbaum

17 Janeiro 2014 | 16h10

A polêmica dos rolezinhos, rolezões e giros em falso está rendendo. Em primeiro lugar bonificou os agentes do Planalto, sempre à espreita para manipular fatos e embolar informações. Aproveitaram a oportunidade para insuflar o ódio entre classes sociais. É exatamente deste tipo de oportunismo político do qual estamos todos fartos. Não podemos nos contentar mais com ser a favor ou contra. Estamos carecas de saber que esse era o plano original: implantar uma democracia plebiscitária e onde quem tem mais verba portanto mais bala, faz mais propaganda e fatura as eleições.

Agora estamos às voltas com desagravos aos mensaleiros, caixinhas para arrecadar fundos e marchas solidárias partidárias  pipocando pelo Pais. Reparem que não estão lutando contra preconceitos, nem pela justiça, muito menos ao lado desses jovens que originalmente começaram um movimento para romper o cordão de isolamento cultural que os centros acaba lhes impondo. O que fazem os governantes? Tomam partido no lugar de uma atuação apaziguadora. Chamam os conflitos desde que tenha a chance de lidera-los. Isso não é republicano, decente, nem democrático, isso é uma piada.

Os órfãos do Partido estão buscando nichos para se legitimar e reencontrar a interlocução perdida com a sociedade desde o susto que tomaram com as manifestações juninas.

Mas qual será o custo do jogo perigoso? Jogar classes para o confronto pode gerar escapes inesperados. Claro que a conta cairá de novo no débito automático da maioria, que, mais desta vez pagará por uma conta que não foi ela que gerou. Só um aviso: quem sopra o fogo deveria prever que nem sempre as fagulhas escolhem a direção do vento.