Jogos Paradoxais

Jogos Paradoxais

Paulo Rosenbaum

03 de agosto de 2013 | 22h47


Nove partidos deixam ‘núcleo duro’ do governo na Câmara


Câmara convida povo a voltar às ruas

 

Partidos de esquerda estão ‘velhos’

 

Governo de São Paulo acusa Cade de ‘vazamento seletivo’ de informações

 

PF vai investigar formação de cartel em licitações do Metrô e da CPTM

Jogos  Paradoxais 

 

O novo mês entra e a sede por utopia parece intacta. Não se trata só das manifestações – que começam a parecer redundantes — nem da notável sensação de desgoverno. Parece que somos pastoreados por gente que perdeu o discernimento no patético clima de despreparo dos legisladores.

Pode até ser que a insatisfação das ruas seja fruto indireto de expectativas inflacionadas. Mas a ascensão de toda essa gente à classe média jamais seria uma espécie simbólica de “índice de sucesso” como quiseram insinuar os propagandistas do poder. Oportunistas com suas bravatas são os que menos precisamos nessa hora.

Reparem que desde os blocos de junho não surgiu um só político com visão de Estadista, nenhum discurso que trouxesse uma percepção original, nada de uma análise ampla para o esclarecimento da delicadeza do momento atual e a grande oportunidade para fazer avançar a democracia.

A psicologia já fez notar que é próprio do mundo idílico não assumir responsabilidades. É sob este clima que Governo e oposição ficam no faz de conta. Agora travam guerra aberta de dossiês na mídia, com óbvia  vantagens para quem controla as informações e as escoa conforme sua conveniência. Alguém do alto do marketing político está dando as cartas. E está tentando infundir a ideia de que é tudo igual. Há contudo uma diferença: há figuras fortes da oposição com autocrítica suficiente para pedir investigações na própria carne, já, do outro lado, sabemos onde foi parar a tal refundação do partido depois do mensalão.

O fato é que absolutamente tudo poderia levar um subtítulo permanente: isso se refere à 2014!

São jogos paradoxais que nos oprimem em suas múltiplas frentes:

Jogo 1- Instrumentalizar as manifestações para destronar o petismo.

Jogo 2- Desenterrar escândalos pregressos como cortina de fumaça para desmoralizar a oposição.

Jogo 3- Forças “amigas” com ajuda do grande orquestrador minam a governabilidade mirando desgaste da presidente.

Jogo 4- O legislativo dupla face: apoia os protestos e sustenta a base.

Jogo 5- Naturalização, e, em seguida, legitimação do vandalismo como base da desobediência civil contra o Estado.

Jogo 6- A velha tática do quanto pior melhor, revivida, agora visando “mudar o Estado”

Jogo 7- Desqualificação generalizada da ação política tradicional com lideranças horizontais onde uns são mais horizontais que outros.

Jogo 8 – Oposição vitimizada pelos dossiês secretos, que reagirá com dossiês ultra-secretos.

Jogo 9 – Governo intimidado leniente com a bagunça para depois emular segurança e tentar reconquistar apoio da classe média.

Jogo 10 – Novos players: velhas figuras defenestradas, criminosos e sabotadores entrando no cenário para atuar no novo lobismo de multidões.

Jogo 11 – Como ninguém entende o jogo, fingimos conhecer as regras.

Para esse jogo, não existem regras!  

 http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/jogos-paradoxais/ 

 

Tendências: