Jugo

Jugo

Paulo Rosenbaum

09 de junho de 2017 | 19h50

 

 

E quanto ao Jugo?

Nem se cogita

Nem será julgado.
Julga-se, julgo, a letra, não a filosofia

Julga-se a caneta, não a ideologia

Deixam de examinar o corpo, o caule

é onde reside a carga hostil do direito

Num Pais onde tudo é inesperado
e, sem cuidado, atiça o defeito

Na casa movediça, dissipam-se as telas da justiça

Percebe-se o mal feito, e a carne, em desleixo
expia, sem nenhuma sanção ao eleito

Atenção à renuncia e à punição coletiva,

aos amordaçados arrastados
na maratona de acovardados

Eis que chegou a hora de anunciar
“Morte súbita da Republica”
Que, sem cerimônia com os desesperados
Dança sobre a cabeça dos governados

Só há um engano que não trai o mal
Da voltas e retorna como milagre

Desembocando em desfecho fatal

Combinando  armadilhas que o político

consagra em benefícios imaginários
tornando vidas secas, miseráveis, amargas

reduzidas a códigos binários

Mas é aí que tudo será transformado

E o que nos foi expropriado

será, enfim, restaurado,

E as camadas de beligerância

insufladas de litigância

Mover-se-ão no sentido reverso

Subirão à espada, com furiosa tolerância e velocidade

Quando tribunais desistem das tribunas de impunidade

E, se, ainda assim, nenhum diálogo vingar

Ficaremos serenos, compenetrados no perene

para lentamente recompor, do começo

o destino que nos virou pelo avesso.