Barbáries consentidas

Barbáries consentidas

Paulo Rosenbaum

20 de abril de 2014 | 16h30

Há espaço para o pensamento preventivo em nossa cultura?

Relatos de opressão e maus tratos, fartos. A sequencia prévia de eventos, óbvia.  Obrigatório deduzir o que estava por vir. Se as sibilas decretavam nos oráculos destinos peremptórios, uma de nossas vantagens deveria ser tentar antecipar desfechos como esse. É preciso, antes, ultrapassar o mito das madrastas como estereótipo do mal. No dicionário de símbolos de Juan-Eduard Cirlot a “mãe terrível” representa “não só a morte, mas o aspecto cruel da natureza, a indiferença à dor humana”. Mas, o mais provável é que a origem dos contos de horror como esse do Rio Grande do Sul, seja pais omissos. Eventos recentes de incêndios, execução de juízas, jornalistas e ex-esposas, escancaram as falhas nas redes de proteção.

Antecipação obrigatória de quem, constitucionalmente, deveria zelar pela segurança e parece ter renunciado sem aviso prévio. Na muito nossa  lentidão da justiça a punição tarda e o agressor triunfa.

Depois do mal selado, soluços. O irreparável, auto evidente e os arrependimentos do setor público não contam, duram nada.

Proponho extirpar do horizonte a palavra “fatalidade”, e assimilar o conceito “destino evitável”.

A antecipação continua sendo a única medida racional que a sociedade solidária junto a um Estado minimamente eficiente têm à mão para se antepor às barbáries consentidas.

Oxalá contássemos com qualquer um dos dois.

 

 

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.