Envenenando o tabuleiro

Envenenando o tabuleiro

Paulo Rosenbaum

07 de fevereiro de 2014 | 13h41

 

Lula ataca ministros do STF e diz que partido sofre por filiados presos

A opinião pode ser muito bem vinda num debate, mas que aura problemática se ela está fora do contexto de um diálogo. Neste caso, ela adquire uma aura dogmática e autoritária. E como abunda gente com opiinão formada, convicção e cabeça feita por aí. . Esta multidão de convictos talvez explique a desolação e o o novíssimo mal estar na civilização.

Todos resolveram evocar a tese de linchamento moral. De personalidades do cinema, às figuras políticas, passando por pseudo celebridades até cidadãos comuns. Desforras instantâneas — que para os comuns as vezes não são apenas moras — estão diretamente relacionadas com a facilidade e fluidez com que a informação têm chegado às pessoas..Se há uma virtude na liberdade de acesso às informações é transferir poder para as pessoas. Trata-se de um fenômeno tanto poderoso como inquietante. Por representar um poder de natureza  difusa ele pode apresentar um efeito paradoxal : enfraquecer as instituições.  Vale dizer, as instituições têm lenta formação, são o resultado de décadas, as vezes séculos de amadurecimento. Estas não conseguem competir com uma convocação arrogante e autoritária feita pelo megafone da web. As instituições podem apresentar milhares de defeitos e vícios mas ainda são a melhor proteção coletiva contra a barbárie.

Aqui chegamos à militância.

Entusiastas partidários, legiões que seguem os ideólogos ou gente que marcha pela “causa” frequentemente representam a faceta obscura da manipulação política. Os formadores de opinião abusam do prestigio para fazer valer a causa própria.

As vezes, não sabendo o que exatamente estão defendendo os seguidores acriticos dão declarações curiosas sobre o apoio solidário ou pecuniário que oferecem, por exemplo, a alguém que foi condenado em longo e exaustivo processo. Ou explicitam publicamente “essa justiça não nos serve, vamos executar com as próprias mãos”. E, por vezes, reproduzem as palavras de ordem oriundas da boca de quem subsidiou um desagravo a si mesmo. Sempre existe uma desculpa para torcer, mas, por favor, separem  fã-clubes da política.

Torcer pelo partido e apostar contra as instituições não é só um tiro no pé da democracia, é envenenar o núcleo do tabuleiro político.

http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/marcha-sem-volta/