Máscaras que amordaçam

Máscaras que amordaçam

Paulo Rosenbaum

10 Setembro 2013 | 23h32

Aprovado projeto que proíbe máscaras em manifestações

Encarecer a violência

Espontaneamente um coro saiu às ruas sob uma governança natural, costuradas com aquele cimento instantâneo que mistura solidariedade com reciprocidade e que historicamente sempre foi capaz de organizar pessoas oprimidas.

O momento foi ultrapassado por substituições cada vez mais artificiais. Fica evidente que literalmente todos, estão tirando casquinhas  da insatisfação difusa iniciada com as primeiras manifestações juninas. A novidade é que não são só centrais sindicais, políticos e burocratas. O oportunismo se estendeu às lideranças dos movimentos que imaginam novos meios de cooptar o medo e a incerteza para fazer crescer o capital político. Por outro lado, para alívio dos governantes  a onda pode estar saindo de moda.

A façanha de desorganizar as massas coube a quem se outorga o direito de, ao protestar com violência, emudecer outras vozes.

É que a tropa de choque anônima perdeu a moral e, com isso, o direito de se auto nomear anarquista: renegaram a liberdade, princípio caríssimo e fundante daquele movimento. Tampouco são democráticos: usam prerrogativas deste regime apenas para suspender o direito dos demais. Inspirados por arquétipos políticos nocauteados mundo afora, o pessoal que dá voadoras contra placas de trânsito, chutes nas vidraças das instituições testam agora seu heroísmo mandando pedradas contra quem estiver do outro lado. Estão dando valorosa colaboração para deixar afônicos aqueles que estavam ressurgindo para denunciar os verdadeiros opressores.

Soube-se que o grande manipulador sentou-se junto ao conselho que o assiste para, além das costumeiras sessões autocongratulatórias, ensinar como continuar adestrando a anomia até transforma-la numa máquina de produção de votos frescos.

Qualquer faixa etária tem o direito à indignação. A maioria, o dever de resistir às máscaras que amordaçam.