#naovaiterpais#

#naovaiterpais#

Paulo Rosenbaum

22 Janeiro 2014 | 13h35

Como muitos, avalio que os custos do evento desportivo deste ano, num país como o nosso, beira o inescrupuloso. No momento precisamos da frieza e do pragmatismo parecidos com aquele dos homens públicos,  É que, infelizmente, não há nenhum registro científico de que algum pinto tenha voltado para dentro do ovo. O dinheiro já foi gasto, os estádios são uma realidade e com ou sem tanques nas ruas, haverá uma Copa. Se tivesse dado certo poderíamos ter uma economia em crescimento e aeroportos decentes. Provável que nem isso aconteça. Em Fortaleza alguém foi franco o suficiente para dizer que “se não der tempo, o consórcio vencedor se comprometeu a erguer uma estrutura de lona”!!!

Portanto, tarde demais folks. Seria outra coisa se tivéssemos mudado as coisas pelo voto, isso antes da choradeira, do barulho e das pichações. A melhor e mais eficaz forma de protestar é retirar o poder de pessoas ineptas através das eleições. Foi para isso que os gregos se deram ao trabalho de bolar uma coisa tão complicada. Continuar botando para quebrar – parece que este é o  grande plano alternativo à Copa — funciona só como um exercício catártico para expressar indignação e liberar frustrações. Mas a violência dissemina respostas e mina a democracia que nos resta. Os espertos de plantão já desenvolveram tecnologia e know how para faturar politicamente com a paralisação do País. O risco de se limitar ao slogan #naovaitercopa# é produzir o efeito colateral #naovaiterpais#.

Concentrem energia, respirem fundo, vaiem, critiquem, saiam por aí para exercer a resistência pacífica. No melhor estilo da frase do Moreira da Silva/Nelson Cavaquinho “tire o sorriso da tua cara que quero passar com minha dor”, protestemos com elegância. O mundo todo observará a assimetria do padrão fifa no País de serviços precários e infraestrutura pífia. E o principal: votem com raiva, isso sim vai arrancar a grama rala dos cabelos deles.