Normalização das relações com países árabes beneficia israelenses e palestinos

Normalização das relações com países árabes beneficia israelenses e palestinos

Paulo Rosenbaum

15 de dezembro de 2020 | 13h44

Por André Lajst*

Normalização das relações com os países árabes pode ajudar no processo de paz entre israelenses e palestinos

Nos últimos 4 meses, Israel reorganizou suas relações diplomáticas e foi reconhecido por quatro países árabes. A tendência mostra que existem outros países árabes e islâmicos também interessados em seguir o mesmo caminho. Na última sexta feira, o Marrocos normalizou relações com o Estado Judeu. Há algumas semanas, fontes internacionais citam uma suposta visita do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à Arábia Saudita onde teria se encontrado com o príncipe herdeiro, Mohamed Bin Salman.

Fontes paquistanesas dizem que o governo do Paquistão está sob forte pressão de diversos países para normalizar as relações com Israel. Aparentemente, eles iniciaram algum tipo de diálogo. Existe diálogo também entre Israel e o Kuwait, Catar, Oman entre outros.

O Oriente Médio está mudando. Por que? Porque interesses nacionais de estabilidade e prosperidade estão sendo colocados à frente de ideologias ultrapassadas e que não fazem mais sentido.

Muitos especularam afirmando que os árabes estão “traindo” os palestinos. Muitos analistas árabes não veem desta forma. Normalizar relações com Israel não significa aceitar tudo que o governo de Israel faz ou fala e sim aceitar a realidade da existência de um país, uma nação.

Acredito que a normalização das relações com os países árabes pode ajudar no processo de paz entre israelenses e palestinos. Como? Todos falam sempre que os EUA são um mediador pró Israel. É verdade. Os Estados Unidos são pró Israel e isso jamais vai mudar. Está intrínseco na cultura e na  tradição americana por muitos motivos e razões.

Os palestinos, com razão, veem os EUA com desconfiança. Mesmo os americanos tendo relações com os palestinos, sua relação com Israel é e continuará sendo muito forte.

Neste novo Oriente Médio, onde nações árabes reconhecem e têm relações com Israel, será desenvolvido  um ambiente de diálogo e comércio. Esse ambiente crescerá e será automaticamente importante para Israel. Em um futuro próximo, todos esses países árabes terão canais de diálogo importantes e, podemos dizer, influentes dentro de Israel.

É aí que a lógica destas normalizações entram: quando o processo de paz entre israelenses e palestinos voltar, e esperamos que volte logo,  um quarto elemento será adicionado à mesa de mediação:  os árabes.  Mas agora, tendo uma relação amistosa com os israelenses e, a partir de então, provavelmente ambos os lados do conflito se sentirão representados por seus mediadores.

Por fim, os palestinos terão um apoio das nações islâmicas e árabes para seguir em frente em alguma futura proposta, mesmo que ela necessite de concessões. Isso ajudará os próprios palestinos para que o acordo não seja possível apenas tecnicamente, mas também politica e ideologicamente.

O futuro do Oriente Médio poderá ser próspero e seguro. Isso dependerá apenas de como os líderes das nações do Oriente Médio lidarão com a coragem de inovar, normalizar e negociar o futuro, ao invés de ficarem presos ao passado.

*Cientista Político e Diretor Executivo da StandWithUs

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.