Novíssima safra de teses conspiratórias

Novíssima safra de teses conspiratórias

Paulo Rosenbaum

17 de novembro de 2013 | 14h53

 

 


Em carta, Delúbio, Genoino e Dirceu rejeitam ‘humilhação’

Bem-vindos a Dallas

A apenas 3 dias do aniversário de 50 anos do assassinato de John F. Kennedy o clima parece haver favorecido uma novíssima safra de teses conspiratórias. A percepção aguda do senso comum é de que há muito mais gente na moita do que se supunha. Não é nada diferente aí no Brasil. Parece que um processo chegou ao seu final. Cauteloso, melhor acompanhar de longe toda euforia. Nenhuma prisão merece comemoração ou ser cultuada como o resgate da Nação. Na verdade, é apenas lamentável que ainda não tenhamos achado um jeito melhor de atender a justiça que cassar-lhes a liberdade. Entretanto, chama muito a atenção que, ainda assim, tenhamos a sensação de certa insuficiência da justiça. Particularmente nos casos em que o que esteve em jogo era nada mais, nada menos, do que o controle do Estado, como foi o caso da ação penal 470. A impunidade seletiva e os critérios sob os quais os cidadãos estão submetidos as normas do Estado cansam, desestimulam e por fim imobilizam a opinião pública. Neste caso, seria melhor publicar todo processo, publicá-lo, divulgá-lo, para depois discuti-lo maciçamente. Muito melhor que espetacularizar ordens de prisão.

Por isso, cabe perguntar quem são os verdadeiros presos políticos?

Os legalmente condenados devem logo obter graus progressivos de liberdade, e para eles, convictos que fizeram o melhor pela causa, estarão garantidas glória e dividendos políticos. Passada a farra, nós ainda estaremos aqui, sujeitos à mesmíssima lógica que regeu o grande mensalão pluripartidário.

Para todos nós, o lado de fora, não significa liberdade, infelizmente. Seguimos submissos às normas do partido hegemônico que, menospreza a autocrítica e manipula a opinião pública.

Pensando melhor, só mesmo fugindo do senso comum será possível enxergar a conspiração que rege a conspiração, a meta conspiração: o excesso de teses paradoxais anula qualquer perspectiva de achar algo próximo da verdade. No caso do negacionismo militante dos réus, será que não subsiste uma lógica ao revés? Se eles se consideram prisioneiros políticos, qual então seria nosso status? Reféns do centralismo partidário?

As prerrogativas do espanto e da indignação não deveriam ser nossas? Ou seremos vítimas do velho maniqueísmo político que tipifica a esquerda como o único bem inato da Terra? O segundo ato terminou, mas existem fases na vida nas quais é melhor abandonar o livro antes de ler o desfecho.

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