Oposição substituta

Oposição substituta

Paulo Rosenbaum

28 Junho 2013 | 16h11

 

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Oposição substituta

No pronunciamento todos botavam fé. Nunca as palavras foram tão importantes. Como dizia um muro de Paris em 1968 : chega de atos, queremos palavras. É isso. Até os muros falam quando há vida nas ruas. Isso significa que havia uma chance de reconciliação. O poder poderia se reinventar e, a depender do encaixe e do discurso, esclarecer todos, a maioria, ou uns poucos. As 21hs, fala sério, era para restabelecer o diálogo – não cooptar com concessões de linhas de crédito, propor reformas oportunistas, ou medidas de escopo e alcance paliativos. Aí mora o ilegítimo. Falou o que lhe mandaram. E quem manda? Quem assopra a brasa lá dentro? Quem sabota os esforços para aprender a pilotar durante o voo em apuros? Ou alguém duvidava do despreparo político? Há enorme lastro de dúvidas, mas é certo que as ondas embarcam de outra maré. Estão lá dentro, de molho, na agua estagnada.

O ministros já fizeram sua lista de acusados, só faltou o veredito. Apedrejaram a oposição, a burguesia, jornalistas, a fração belga da Belindia, os sem representação, uma minoria. E o que seria da democracia sem a voz das minorias? Daí ousaram pular para imputações menores, num varejo pueril e que reforça o diagnóstico do clima da capital: cinismo institucional pleno. O poder é, neste momento, a reação em seu pior momento. Aquele instante, quando se está saindo das cordas, e como barata tonta distribui ganchos no ar.

Isso para um movimento mambembe, que não pretendia ser revolucionário. Lembram-se da predição do acadêmico? Faz pouco tempo era para ser “o fim da história”. Mas ela é persistente. Nas ruas, apenas a vocalização do grito parado, aquele que precisava sumir da garganta para limpar o ar de tanta maledicência. A faxina do coro era espiritual. As pessoas comuns fizeram as vezes da oposição que não cumpriu seu papel político. E apesar do ultraje dos punguistas e radicais, fizeram-se ouvir.

Ainda há pólvora no ar e o mal estar subsiste. Quando se erra a origem o diagnóstico está condenado e o prognóstico permanece aberto. De forma alguma a fonte das desavenças vem de onde está o fogo. Ela se propaga pelo outro lado. Eis que a fumaça original estava lá dentro, no interior do palácio. É que quando se solta o bicho ninguém pode garantir que ele não se instalará na sala.

Foi só isso. Erro de cálculo. A chave das jaulas foi operada por quem não sabia o segredo.

Querem nomes? O que temos é agitação inominável, por isso ficamos sem palavras.