Postes em branco

Postes em branco

Paulo Rosenbaum

06 de abril de 2014 | 01h31

 

Havana critica ações ilegais dos EUA após criação de ‘Twitter cubano’

Ser informado instiga? O conhecimento subverte? Há limites éticos para produzir acesso universal à informação? Quais as fronteiras éticas entre esclarecimento, convencimento e persuasão? Guerra de informação sempre foi um front. Hoje, algumas campanhas que viriam a calhar se os países que gozam liberdades democráticas pudessem informar habitantes de outros territórios dessa preciosa qualidade. Que boa notícia saber que não seremos reduzidos a sucursais do Estado.

Durante a segunda guerra folhetos antinazistas, alguns redigidos por escritores como Thomas Mann, foram lançados sobre as populações da Alemanha nazista. O longo e icônico poema “Liberdade, eu escrevo teu nome” de Paul Eluard, contrabandeado para o Reino Unido, teve as estrofes impressas alguns anos depois de terem sido escritas, serem lançadas pelos aliados sobre a França ocupada. 

Sugestão de campanhas imediatas para países com censura, usar drones descarregando panfletos. Algumas prioridades: aspergir folhetos com cortes de cabelo revolucionários sobre a Coreia do Norte. Pulverizar países fundamentalistas, onde mulheres estão proibidas de dirigir, com imagens fortes de ocidentais ao volante. 

Em outros lugares, infestar o ciberespace com mensagens eletrônicas. Sobre ditaduras e autocracias emitir sinais intermitentes sobre a existência de regiões curiosas, onde existe revezamento de poder, mais de um partido, liberdade de expressão.

Aos venezuelanos, diante dos apagões, será necessário recorrer as faixas nas ruas, nelas, pediremos perdão por nossa vergonhosa omissão. Perto das eleições, um recado aos brasileiros, conciso, mas de grande valor: alertar sobre cheques e postes em branco.

 

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