Quem radicalizou foi o poder

Quem radicalizou foi o poder

Paulo Rosenbaum

16 de agosto de 2015 | 12h58

Quem radicalizou foi o poder

 Ladocerto

Nunca houve como saber de antemão. Foi em paz. Qual será o lado certo da história? Uma máxima precisa ser considerada: a obediência à tirania é uma modalidade de golpe. Democracia não é jogo estático. Se não existem lobos, tampouco ovelhas. A quem interessa a aversão, a repulsa e a generalização? A turma da bala sempre esteve distribuída uniformemente, mas entre nós, graças a uma estranha tolerância, não se fortaleceu como maioria.

Ontem, nenhuma mídia televisiva mostrou os preparativos para a marcha. Por que? Assinantes ou não. Telespectadores engajados ou não. O direito à informação é vital para a democracia. Foi só através deste direito que ficamos sabendo de tudo que estava, e está, sendo urdido. Por isso, uma marcha pacífica precisa ser respeitada e protegida. Hoje arriscam flashes, tímidos.

Faz parte desta mesma democracia, acordos, contas desesperadas, conchavos de última hora, mas e se os bastidores retiverem segredos dolosos à República? E se a sociedade estiver sendo alijada de um processo no qual ela é a protagonista principal? E se as leis passarem a proteger o direito de quem quer caçar os direitos? E se a mordaça aprisionar a liberdade de pensamento e de expressão?

A legitimidade através do voto é uma presunção de legalidade. Ela se auto justifica sob a vigência plena da constituição e do Estado de Direito.  As regras são estáveis enquanto houver mecanismos para corrigir a injustiça do arbítrio e instâncias às quais recorrer. Em completo isolamento, o poder mingua nas ruas, e suspira sitiado em eventos encapsulados. A governabilidade é fruto da confiabilidade. Sequestrada pela fisiologismo terminal, agora agoniza na paralisia e nos acertos suspeitos: quem radicalizou foi o poder.

Há quem queira distorcer a índole pacífica de um dia como hoje. Neste caso, a virulência está nas mãos e nas penas de gente que insiste em desqualificar os 93% que discordam da atuação do regime. Têm todo direito em desqualificar, mas ao indicar o termo “golpista”, estão avalizando o sentido oposto. A história costuma ser rigorosa com panfletários chapa branca, mas ela será ainda mais avessa aqueles que apostarem na manutenção do status quo.

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