Removam cadeados

Removam cadeados

Paulo Rosenbaum

03 de junho de 2015 | 10h43

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O casal andava melancólico. Combinaram o dia: 12 de junho. Únicos a aplaudir a iniciativa, entoavam: removam todos! Convencidos de que alguém precisava romper com o anzol inflexível, postaram-se na passarela e estenderam a faixa: “Cadeado é cativeiro”.

Não esperaram a prefeitura, protocolaram promessas, nem formalizam nada. Precisavam libertar todos do cárcere privado que a sociedade inventou. Não era uma questão de compromisso ou fidelidade, submissão ou sedição. O que estava em jogo era a honra dos amantes.

Concordavam no essencial: para que tantas exigências e pactos neuróticos? No meio da ponte, debruçaram-se e trocaram o penúltimo olhar. Ela lembrou do primeiro dia, ele,  do amor à primeira vista. Foi quando subiram no parapeito e decidiram.

Hesitaram, até que, na sincronia não planejada, mergulharam no rio relapso. No julgamento do mundo, um ato insignificante, quem se importa com suicídio, escândalo ou litígio?

Premidos pela beleza do entorno,

flutuaram para além das ilusões,

Sem certezas, embebidos de intuições,

se já houve algum sentido para o amor, que seja emancipador.

 

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