Resenha do livro “A Verdade Lançada ao Solo” por Regina Igel

Resenha do livro “A Verdade Lançada ao Solo” por Regina Igel

Paulo Rosenbaum

29 Janeiro 2014 | 17h30

Resenha*

A verdade lançada ao solo, de  Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010.

Por Regina Igel / University of Maryland, College Park

            Há certos sabores que só podem ser apreciados lentamente, para que a língua tenha mais vantagens em degustá-los e  ganhe tempo para informar o cérebro sobre eles. Respeitadas as coordenadas referenciais, é o caso do livro  A verdade lançada ao solo, de Paulo Rosenbaum. É obra que exige lenta leitura, com pausas regulares, preenchidas por contemplações, reflexões e meditações. Para se aprender, pelos caminhos do rabino Zult Talb, o que é a alma, se ela transmigra ou não, onde se pode encontrar Deus, como chegar até o Criador (ainda como ser vivo), enfim, para ser saboreado em seus meandros místicos, filosóficos, científicos, pessoais e universais, este livro tem de ser lido lentamente. (Eu levei um mês mais uma semana para terminar a leitura – pois parei em várias passagens,  para pensar no que acabava de ler…)

É livro denso, pode-se dizer, enciclopédico pois, ao redor de um verbete – devekut –giram três histórias, um epílogo e uma parte iconográfica. Cada uma das três primeiras especula, analisa, questiona, por personagens ativos e diálogos dinâmicos,  o que vem a ser ‘devekut’. Na primeira narrativa, que transcorre na cidadezinha de Tisla, em meados do século XIX (mais precisamente em 1856, que corresponde ao ano judaico 5.616),  a história esclarecedora de ‘devekut’ tem início numa casa modesta, adaptada para ser também casa de orações para os judeus naquele remoto e parcamente povoado lugarejo. O rabino Zult, líder da comunidade, é visto com respeito e com desconfiança: na sinagoga, ele dirigia judeus que respeitavam a religião e eram pouco afeitos a interpretações esotéricas, às quais ele se dedicava de tempos em tempos. Não que ele fosse um rebelde ou motivador de rebeldias religiosas, mas era um homem que não aceitava a palavra escrita como prova irrefutável de uma verdade, nem tampouco a interpretação tradicional do Talmud (o texto que reúne códigos de comportamento ético, composto por uma sequência de rabinos a partir do segundo século da Era Comum aos judeus e cristãos).  Na página em que se identifica “ … Zult era um iconoclasta” (p. 24), se encontra o cerne desta narrativa, que é a imersão na ‘devekut’. O autor coloca uma nota explicativa ao pé do texto (como faz com quase todas as palavras de origem hebraica, em transliteração ao português), esclarecendo que ‘devekut’ significa “aproximação, aderência, apego. Termo místico que define proximidade com Deus. Estado modificado de consciência, no qual os homens podem experimentar no corpo a própria energia de Deus.” No mister de provar tal experiência, o rabino pode ser observado como se fosse um submarino cortando águas profundas, interceptado por diversas correntes (as perguntas, os comentários e observações de seus ouvintes), mas com uma trajetória firme, articulada por sua vontade de experimentar um fenômeno místico, arrebatador, que se manifestaria nele num delírio de integração ao Divino e do qual ele lançaria luzes a seus seguidores. Entender os caminhos de Zult é um desafio – não só para a sua plateia, mas para os leitores também. O iconoclasta – na verdade, um homem interessado no diálogo, numa discussão esclarecedora, numa dialética quase platônica (talvez) – tentava arrancar dos ouvintes a capacidade latente deles em argumentar, discutir, trocar ideias. Seus discursos desafiavam a crosta conservadora da sua comunidade e de conselhos rabínicos, quando defendiam a ideia de que a Diáspora ou o Exílio era melhor para os judeus do que se aglomerarem em Israel, como queriam os sonhadores do seu tempo – que se tornou realidade pela força sionista. Como era formado em Filosofia, por uma universidade não-judaica, Zult trazia para suas prédicas a ideia de que as ciências eram benéficas para todos e que os judeus religiosos não deveriam se fincar apenas na fé ou na espera de milagres, pois a medicina (sua vocação frustrada), por exemplo, era um pilar de suma importância na prevenção e na cura de doenças. Um de seus muitos filhos, o Nay, era um atento interlocutor e provocador, que muitas vezes substituía um público de ouvidos um tanto moucos em suas prédicas, pois o menino de 14 anos lhe fazia perguntas, apresentando desafios e sugestões. E também houve ocasiões em que Zult, o iconoclasta, não tinha público nem filho para contestar suas verdades; mesmo assim, ele falava, ou se calava, preparando-se para receber a ‘devekut’ – e a recebia, gerando em si mesmo uma energia de alta frequência, de pulsação insólita, que o levava a pensar que se impregnava da energia divina. Não que quisesse se igualar a Deus, mas queria usufruir da divindade o que a patologia de ser um ente humano não lhe permitia.

Se a ‘devekut’ foi definida no início da primeira narrativa e gradualmente explicada ao longo das primeiras cem páginas, o título da obra só vai receber esclarecimento para além da página 100, como se fosse necessário preparar os leitores para a essência de uma escrita laica num contexto carregado de religiosidade. “A verdade lançada ao solo” (fragmento que se  encontra no Livro de Daniel 8:12) se tornou uma espécie de mantra ou bússola para o pensamento, utilizada por Zult, na sua busca por uma interpretação do versículo em todas suas possibilidades semânticas ou racionais e místicas ou movidas pelo supernatural. Em resumo, a verdade está diluída no pó ou é o pó que se alimenta da verdade? O livro se apropria dessas (entre outras) versões para explicar Deus, o mal, o bem, a doença, a cura, o êxtase, o milagre, a indiferença, a alma, o espírito, indo do geral ao particular, ao mencionar a necessidade de se estudar textos bíblicos em duplas (como o fazem os estudantes dos seminários judaicos), pois uma leitura individual não é aceitável – faz-se necessário discussão, apresentação de ideias conflitantes, diálogo, é preciso liberar o epílogo, a conclusão, de todo o emaranhado que nos desafia.

O diálogo vem a ser o cerne da segunda narrativa, “A balada de Yan e Sibelius”. Os personagens são dois homens perdidos nos Alpes, em meio a uma nevasca. Um deles é médico, o outro é seu ex-paciente; um deles é o Dr. Talb, descendente do Zult Talb, personagem proeminente na narrativa anterior. Numa área escavada numa montanha gelada, que mal abriga os dois, à espera de não se sabe o quê, ou que o tempo melhore ou que eles se entendam, discorrem sobre a ótica médica e a ótica dos pacientes que não só podem diferir uma da outra, mas chocar-se também.  Fé e razão passam a ser elementos de fricção e ponderações para os dois perdidos na brancura da neve e na negritude da noite. Ambos mantêm o fogo do conhecimento aceso e reciprocamente sopram as chamas, como querendo que um se apagasse para o outro continuar a existir.

Como o fez na primeira história, o narrador interpõe ao texto ‘recados’ ou intercalações de cunho explanatório sobre a religião, hábitos dos judeus ao longo dos séculos e outros temas. Imitariam os ‘comentários’ ou ‘ridushim’, notas ou observações marginais ao texto do Talmud. Nesta narrativa, as interferências explicam certas reações orgânicas a alguns remédios, os efeitos da sua ‘produção industrial’,  a manipulação do corporativismo, o darwinismo, o congelamento dos órgãos internos, a fome contínua, o perigo da morte pela inércia física no panorama congelado  – em enunciados breves, não-invasivos, que complementam o desenrolar dos eventos. Com a precariedade da situação, o judeu impulsiona o tema da ‘devekut’, que passa a ser o jogo dialético entre os dois alpinistas. Ela é então praticada: os sentidos se renovam, os membros congelados se movem, a cabeça se esvazia do medo e da incerteza, a “Presença” penetra pelos olhos dos seus praticantes. “… não tem como comparar com droga nenhuma. Nem alucinógenos, nem estupefacientes, nem nada da farmacopeia”(p. 479). É a fé ou é a alucinação dos corpos deteriorados?

A terceira e última das narrativas, “Sonho não interpretado”, concerne tratamentos de dependentes químicos, na época contemporânea. Um jogo de xadrez se coloca entre médico e paciente e mais: doutrinas espíritas, um papiro que contava vidas dos antepassados do médico (entre eles, o rabino Zult Talb), transes, incursões a cemitérios de judeus poloneses depois do Holocausto, perspectivas para o mundo sob o comando dos norte-americanos,  terrorismo, Al-Qaeda, a destruição das vidas e das torres gêmeas em Nova York, exorcismo, os justos em cada geração judaica… um repertório que instala personagens e questões dentro de uma moldura atual, atravessando Israel, Grécia, Egito, o Brasil e a inclusão do velho Zult Talb, que reaparece em espírito. Atmosfera sufocante, perturbadora e liberadora, instiga perguntas que exigem respostas,  como se indicassem que, no mundo caótico em que vivemos, só o questionamento pode nos encaminhar para o conhecimento.

O Epílogo é uma tentativa de amarrar os eventos principais, transcorridos pelas três narrativas mas, na verdade, são os leitores que devem fazer o acerto das circunstâncias lidas, visualizadas e imaginadas, com o roteiro fornecido pelo autor. Este também insere fotos dos ‘pergaminhos’ deixados por Zult (em papel brilhante, de um colorido esmaecido como num daguerreótipo, em escrita artística), para que as futuras gerações soubessem que a ‘devekut’ é uma atividade que pode e deve ser experimentada para uma aproximação real com Deus, ainda que paradoxalmente seja abstrata, como parte do absurdo da existência humana.

Para quem eu recomendaria este livro? Para aqueles que não sabem absolutamente nada sobre judaísmo, para aqueles que, como eu, sabem um pouquinho e para aqueles que sabem bastante. Esta obra, imersa em conhecimento, divulgado por diálogos e meditações dos personagens, é inédita no repertório de obras brasileiras de ficção, pois mostra intenções implícita e expressas de provocar nossa curiosidade intelectual, espiritual e emocional. Quem a ler, ganhará em conhecimento sobre a religião judaica, seus mitos, rituais, tradições, transgressões e acertos; sobre alma, Deus,  julgamentos humanos e divinos mas, principalmente, ganhará em conhecimento de si mesmo. O estilo da escrita tem volteios e sinuosidades, trazendo às narrativas possibilidades de caminhadas mentais, por uma leitura lenta e gradual. Dêem o tempo necessário para seu cérebro e suas emoções procurarem ‘a verdade lançada ao solo’.

Regina Igel é professora titular de Literaturas e Culturas em Língua Portuguesa no Departamento de Espanhol e Português da Universidade de Maryland. É autora de inúmeros artigos, publicados em diversas revistas especializadas nos Estados Unidos, Europa e Brasil. A Profa. Dra. Regina Igel é também encarregada da seção Brazilian Novels do Handbook of Latin American Studies, uma publicação da Biblioteca do Congresso, em Washington, D.C., e colabora para esta publicação com cerca de 70 resenhas de romances publicados num período de dois anos no Brasil. Foi colaboradora do Jornal “O Estado de São Paulo” (Suplemento Literário e Cultura). É autora dos livros: “Osman Lins, uma bibliografia literária” (1978) e “Imigrantes Judeus, Escritores Brasileiros – O Componente Judaico na Literatura Brasileira (1997).

*Um trecho desta resenha será publicada no Handbook of Latin American Studies, uma publicação da Biblioteca do Congresso, Washington, D. C. que está programado para sair em 2015 (Vol. 60)

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English Version

“Throw Truth to the ground” by Paulo Rosenbaum. Rio de Janeiro: Editora Record, 2010. 

By Regina Igel / University of Maryland, College Park

Translated from the Portuguese by Alex Forman and Regina Igel

There are certain flavors that must be savored slowly to give the tongue a chance to absorb them and time enough to inform the brain about them. Keeping the necessary distance from this parallel reference, this is the case of A Verdade Lançada ao Soloby Paulo Rosenbaum. It is a book that calls for a slow reading, with regular pauses for contemplation, reflection, and meditation in order to enjoy, along with the teachings of rabbi Zult Talb, what the soul is, whether it transmigrates or not, where God can be found, how we can meet the Creator (while still living). To fully appreciate its philosophic, scientific, personal, and universal mystical meandering, this book has to be read unhurriedly. (It took me a month and a week to finish reading, because I paused at various passages to think about what I’d just assimilated.)

One could say that the book is dense, even encyclopedic, since it comprises three stories, an epilogue, and an iconographic section revolving around a single term – devekut. Each of the short stories explores what it is to be “devekut” through speculation, analysis; the characters’ own questioning, and their dynamic dialogs. The first narrative takes the reader to the town of Tisla in the mid-nineteenth century (more precisely in 1856, which corresponds to the year 5,616 in the Jewish calendar). The enlightening story of “devekut” begins in a humble home, adapted also to be a house of prayer for the Jews of that remote and scarcely populated village. Zult, the rabbi and leader of the community, is treated with respect and mistrust. He oversees a religious congregation little familiarized with the esoteric interpretations he dedicates himself to from time to time. The rabbi is not a rebel nor is he calling for a religious rebellion, but he does not accept the written word or the traditional interpretation of the Talmud (ethical codes of behavior compiled from the writings of a series of rabbis from the second century of the Common Era for Jews and Christians) as irrefutable proof.  The heart of the narrative is found on page 24, where Zult is shown to be “an iconoclast” and is immersed in the “devekut.” The author adds a footnote (as he does with almost all Hebrew words transliterated in the text) explaining that “devekut” means “approximation, adherence, attachment. Mystical term defining closeness with God. Modified state of consciousness in which men can experience the energy of God in their own bodies.” In order to prove that such an experience exists, the rabbi might be seen as a submarine slicing through deep waters, intercepted by various currents (the questions, comments, and observations of his listeners). But he remains firm in his itinerary, articulated by his desire to manifest a mystical, ravishing phenomena in himself, in the delirium of joining with the Divine, from which he will enlighten his followers. Understanding the ways of Zult is a challenge not only for his audience, but for his readers too. The iconoclast – actually, a man interested in dialog, instructive discussion, and nearly platonic dialectic (perhaps) – tries to draw out his listeners’ latent ability to argue, discuss, and exchange ideas. His lectures challenged the conservative crust of his community and the rabbinical counsel who defended the idea that, for Jews, Diaspora or Exile was better than to congregate in Israel, as the visionaries of the time foresaw, and which later became reality through Zionist efforts. Zult had a degree in philosophy from a non-Jewish university, and he brought to his teachings the idea that science was beneficial to all and that religious Jews should not rely on faith alone or wait for miracles, since medicine (his frustrated vocation), for example, was of unparalleled importance in the prevention and cure of diseases. One of his many sons, Nay, was an attentive interlocutor and provocateur, often making up for the listeners’ silence, on whose deaf ears Zult’s speeches would fall; the fourteen-year-old asked questions, challenged, and made suggestions. And there were also occasions when Zult, the iconoclast, had neither public nor child to challenge his truths; but even so, he spoke or stood silently, preparing himself to receive the “devekut.” Then he would receive it, generating within himself an energy that was of such a high frequency, and of such an uncommon rhythm, that it led him to believe that he was impregnated by divine energy. Not that he wanted to be equal to God, but he wanted to enjoy something of divinity not usually allowed by the condition of being a human being.

As the “devekut” was defined at the beginning of the first story, and gradually explained over the first hundred pages, the title of the book only becomes clear beyond page 100, as if it were necessary to prepare the reader for the essence of a lay text in a context laden with religiosity. A fragment from the Book of Daniel (8:12), “You threw Truth to the ground,” became Zult’s mantra or fixed thinking in his search for an interpretation of biblical verse in all possible semantic, rational, mystical, and supernatural explanation. At last, is truth diluted into dust, or is it the dust that nurtures truth? The book grasps these (among other) interpretations to explain God, good and evil, illness and cure, ecstasy, miracle, indifference, the soul, the spirit, moving from the universal to the particular, when mentioning the necessity of studying the Bible in pairs (as Talmudic scholars do). A single reader is not acceptable since it is necessary to discuss, to present conflicting ideas, to establish a dialog with each other, in order to release the epilogue, the conclusion, from the mass of problems challenging us.

Dialog is at the heart of the second narrative, “A Balada de Yan e Sibelius.” The characters are two men lost in the Alps, in the middle of a blizzard. One is a doctor, the other a former patient of his. Dr. Talb is a descendent of Zult Talb, the preeminent protagonist of the previous story. In a dugout in the frozen mountain that barely shelters the two of them, waiting on who knows what – that the weather clears or that they reach some understanding between them – they discuss a doctor’s and a patient’s points of view which not only differ semantically from each other, but also violently clash. Faith and reason become elements of friction and deliberation for the two lost in the whiteness of the snowstorm and the blackness of night. Both keep the flame of knowledge lit and take turns blowing on its ashes, as if they wanted one to be extinguished so that the other could go on existing.

The narrator interjects “messages” or parenthetical statements of explanation about Jewish religion and customs throughout the centuries, and other subjects. These notes might be an imitation of the “commentaries,” or “Rashi’s notes,” observations written in the margins of the Talmud. In this narrative, the remarks explain some of the organic reactions to some medicines, the effects of “commercial production,” the manipulation of corporatism, Darwinism, the freezing of internal organs, famine, the risk of death by physical inertia in the frozen panorama – in brief, non-invasive comments that complement the evolution of events in the narrative. In this precarious situation, the Jew drives the “devekut” theme, which becomes a dialectical game between the two alpinists. Then, it is practiced: feelings arise again, frozen body parts move, the mind becomes empty of fear and doubt, the “Presence” shines through the eyes of the practitioners. “. . . impossible to compare to any drug. Not hallucinogens nor narcotics, nothing from the Pharmacopeia” (p. 479). Is it faith, or is it some hallucinatory effect emanating from the deteriorating bodies?

The third and last of the narratives, “Sonho Não Interpretado,” concerns the treatment of the chemically dependent in our times. A chess match is placed between the doctor and the patient and more: spiritualist doctrines, a papyrus with the doctor’s predecessors’ lives written on it (among them, the rabbi Zult Talb), trances, incursions to the cemeteries of Polish-Jews after the Holocaust, opinions about the world under American command, terrorism, Al-Qaeda, lost lives, the destruction of the twin towers in New York, exorcism, the Just of each Jewish generation… In a repertoire that crosses Israel, Greece, Egypt, and Brazil, bringing these characters and questions into a contemporary frame, including old Zult Talb, who makes an appearance as a ghost, this suffocating, disturbing, and liberating environment raises questions that demand answers, as if to indicate that in this chaotic world in which we live, only questioning can lead us to knowledge.

The Epilogue is an attempt to tie up the main events in the stories, but in truth it is up to the readers to link these seen and imagined circumstances in the author’s script. He also provides photographs of the “scrolls” left by Zult (inserted on shiny paper, with washed-out coloring like of a Daguerreotype, with artistic writing) so that future generations may be able to know that “devekut” is an activity that can and should be tried to find real closeness to God, even though it is paradoxically abstract, like some of the absurdity of human existence.

To whom would I recommend this book? To those who know absolutely nothing about Judaism, to those who, like myself, know a little bit, and to those who know a lot. Immersed in knowledge disseminated through the dialogues and meditations of its characters, this book may be unique in Brazilian literature, since it demonstrates implicit and explicit intentions to provoke our intellectual, spiritual, and emotional curiosity. Who reads it will benefit from the wisdom surrounding Jewish religion, myths, rituals, traditions, transgressions, and assertions about the soul, God, human and divine judgment. But above all, the reader will learn something about him or herself. The writing style meanders and is sinuous, bringing to the narrative the option of mental perambulations for a slow and gradual reading. Give your brain and feelings the time they need when “You throw Truth to the ground…”

 http://blogs.estadao.com.br/conto-de-noticia/throw-truth-to-the-ground-by-paulo-rosenbaum-rio-de-janeiro-editora-record-2010/