Sabiam, mas não tragaram.

Sabiam, mas não tragaram.

Paulo Rosenbaum

12 Maio 2015 | 10h04

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—O plano, perfeito, as circunstâncias, ideais, a resistência, mínima, o apetite, máximo. Então senhores há algum enigma aqui, o que pode ter dado errado?

(batidas de lápis contra mesa de vidro)

—O produto senhor, o produto. Encareceu demais.
–Mas como é que pode? Então paguem! O que estão esperando? Esvaziem os fundos, torrem as reservas, façam o que for preciso. O que? Por que essa cara?
—É que…deveríamos ter aprendido, não funciona, nunca funcionou.
— Mas como é que você ousa? Que tal pedir desconto? Abatimento? E se for no atacado?

(limpeza de garganta ineficaz) (ruídos indecifráveis, sugestivos de lamentos)

– Não dá. Precisamos aprender com a história chefe.
— Você ouviu isso? O que ele está me dizendo?

(murros secos, seguido de gemido contido)

— A realidade companheiro: só a realidade (suspiros) Simplesmente não deu, ninguém pode comprar a sociedade inteira.