A e B: o mundo dividido entre dois tipos de pessoas

A e B: o mundo dividido entre dois tipos de pessoas

Silvia Feola

20 de julho de 2015 | 11h39

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A teoria da personalidade de tipo A e tipo B surgiu a partir de um estudo de dois cardiologistas norte-americanos, na década de 50.

A pesquisa que deu origem à divisão buscava encontrar diferenças comportamentais entre pessoas que, embora compartilhassem estilos semelhantes de dieta e atividades físicas, fossem psicologicamente mais propensas a ter um ataque cardíaco.

Porque o fator diferencial incidia sobre a disposição psicológica e emocional de levar a vida de modo menos ou mais estressante, essa pesquisa foi de grande importância para o campo da psicologia da saúde, que tentava ligar os estados mentais dos indivíduos a sua saúde física.

As pessoas de tipo A foram consideradas aquelas de posicionamento mais “agressivo” em relação à vida: ambiciosas, altamente conscientes do status social, são perfeccionistas e possuem uma grande necessidade de otimizar o tempo, a fim de atingir seus objetivos. Ansiosas, são em teoria mais propensas a fumar, como modo de aliviar o stress ao qual submetem a si mesmas. Um agravante para a sua já predisposição a problemas cardíacos.

A personalidade de tipo B é a antítese do tipo A. De modo geral, tendem a colocar menos pressão sobre si, levando uma vida com menores níveis de stress. Ainda que tenham ambições, o fato de não conseguirem realiza-las não lhes acarreta uma grande derrota; a graça está no caminho, e não em seu resultado final. Um bom exemplo prático desse tipo de caráter está nas pessoas capazes de manter o bom humor mesmo perdendo no carteado. São as famosas “easy-going”.

Embora a pesquisa tenha sofrido críticas dadas suas diversas limitações (abordava somente pessoas do sexo masculino e de um grupo social específico), a teoria da personalidade A e B ainda hoje é levada seriamente em consideração por alguns grupos da psicologia da saúde.

Não é para menos. É interessante notar que a separação entre A e B sugere uma certa hierarquia, não apenas no que diz respeito à probabilidade de doenças coronárias. No mundo capitalista em que vivemos, as chances de maior sucesso na selva social estão diretamente associadas ao tipo de relação que se constrói com o trabalho.

Ainda que atualmente exista um questionamento cada vez mais amplo sobre o que significa ter um estilo de vida mais saudável, física e psicologicamente, o termo workaholic segue simbolizando virtude e seriedade.

As teorias modernas de que o trabalho dignifica o homem venceram como máximas com bases nas quais fazemos o juízo de nós mesmos.

Por isso, é A quem leva a vida sério, e B quem acha que pode relaxar.