A escolha do “Não”

Silvia Feola

05 de julho de 2015 | 19h19

A vitória do “não” no referendo grego não é o estopim da ameaça a uma Europa unida. Foi a intransigência dos credores gregos que começou a crise, e o que vemos hoje é só o começo, não o fim dos problemas.

No melhor cenário, o resultado do referendo de hoje dará à Grécia poder de barganha para reiniciar uma nova rodada de negociação com os credores.

O governo do Syrisa tentará fazer com que o país permaneça no euro, e o receio de que a crise que se seguirá com a saída da Grécia da zona do euro contamine os países cuja economia ainda está fragilizada pela crise de 2008, fará com que a troika aceite voltar à mesa de negociações.

Em suma, as duas partes teriam que ceder.

Mas o futuro ainda é incerto.

O euro passou por um plano de reformas de estabilização monetária. Fazer parte da zona do euro implica em acatar as condições estabelecidas pela reforma. A visão da troika é a de que, se Tsipras não concorda com as regras, isso não significa que pode quebra-las.

Diante disso, tem-se especulado que a troika já tem planos de ação para um possível Grexit (como tem sido chamada a saída da Grécia) da zona do euro, e possivelmente até da União Europeia.

Se esse for o caso, na melhor das hipóteses, a Grécia consegue permanecer na UE, ainda que fora da zona do euro. Mas a possibilidade de que o abandono do euro leve a Grécia a abandonar também a União Europeia ainda é alta.

Se isso acontecer, torna-se claro que a União é para a Europa, mas não para toda a Europa.

Alexis Tsipras não tinha outra alternativa a não ser colocar a questão em um referendo.

A escolha era pesada demais para que ele a fizesse sozinho.

Os gregos não votaram pelo melhor; essa opção nem estava na mesa.