A propriedade compartilhada em tempos de crise

Silvia Feola

05 Outubro 2015 | 11h12

Se tem uma boa lição a extrair da crise, é como reinventar modos de operar e gerenciar bens.

A economia compartilhada, fruto da crise de 2008 que atingiu a Europa e os Estados Unidos, tem tudo para ser uma ideia que veio para ficar também no Brasil.

É como um novo modo de utilização do mundo em que vivemos, o qual já percebemos como desprovido de recursos, naturais e artificiais, infinitos.

Essa releitura econômica poderá ser um dia interpretada como uma nova fase do capitalismo.

Ideias de compartilhamento é o que não faltam. Escritórios, refeições, casas, tudo permite ser sharing, substituindo o tradicional conceito de “posse” pelo de “posse compartilhada”, ou dividida.

Novas lojas de artigos e roupas de luxo trazem o aluguel e não mais a venda de peças como opção (em Amsterdam, há inclusive uma biblioteca de roupas, na qual você empresta um vestido como emprestaria um livro de uma biblioteca particular).

A ilusão de que comprando podemos ter algo permanentemente nosso, deu lugar à realidade de que todas as coisas estão apenas temporariamente em nossas mãos.

Mas as coisas não param por aí.

A permuta entrou com força nos esquemas de patrocínio atualmente feitos pelas empresas (vide o caso das Olimpíadas do Rio de 2016).

Também ganhou força um movimento antigo, reivindicado há tempos pelos ambientalistas: comprar tudo de fornecedores locais, como um meio de manter ativos os pequenos empreendedores, garantido empregos e economizando recursos em forma de transportes e estradas, por exemplo.

O que há três décadas atrás soaria como hippie demais, hoje parece nada mais do que pura sensatez (thanks, hipsters).