Consumo consciente como solução sustentável

Silvia Feola

21 Outubro 2015 | 11h35

Ainda que diversos, a moda e a gastronomia são fenômenos cujas manifestações permitem paralelos interessantes.

A moda é, para além de sua indústria, a arte de se vestir, comportar-se e se apresentar socialmente. A culinária é, para além de sua faceta gastronômica, “um conjunto de modos de fazer, de produzir alimentos em uma sociedade”, como definiu o sociólogo Carlos Alberto Dória em entrevista ao caderno Aliás.

Em suas versões industriais, moda e gastronomia fizeram sucesso ao mostrar que era possível atingir uma sobre-excelência na produção de coisas que há muito tempo pertenciam ao nosso dia-a-dia.

No fim, ambas operam como um meio de doar magia ao nosso cotidiano e isso é incrível.

Mas nesse pertencimento à vida de todo dia, ambas se “perderam” no meio do caminho.

A indústria de restaurantes quis acompanhar o movimento cada vez mais rápido do mundo e encheu-o de cadeias de fast-food; a moda quis dar ao seu público a chance de provar de tudo e criou-se o fast-fashion.

Mas na década de 80 surgiu o movimento Slow Food e hoje é cada dia mais comum pensarmos em sustentabilidade em termos de agricultura orgânica e pequeno produtor.

E do mesmo modo que tomamos consciência de que devemos desacelerar o ritmo na nossa alimentação, também percebemos que devemos desacelerar nosso consumo em geral, do qual a moda é, provavelmente, o seu maior expoente.

O Slow Fashion é um movimento que prega um consumo mais consciente das roupas, um consumo que preste atenção à vida útil das peças, aos pequenos produtores e fornecedores, e à qualidade do meio de trabalho daqueles “seres invisíveis” que as produzem, uma grande questão que cerca a indústria da moda atualmente.

Nesse sentido, o documentário “The True Cost”, já há algum tempo no Netflix, traz uma boa reflexão sobre o assunto, abrindo a discussão com a afirmação de que “enquanto consumidores, somos todos partes do problema”, deste mundo que construímos.

O aplicativo Moda Livre (disponível para iPhone e Android) proporciona informações acerca das principais varejistas de roupas do país e de empresas que já foram flagradas por trabalho escravo. A plataforma traz um rating de avaliação dos empreendimentos.

Ainda uma novidade, as consultorias de estilo que se preocupam em organizar um guarda-roupa ético para suas clientes – como a Oficina de Estilo, de Cristina Zanetti e Fernanda Resende – têm tudo para tornar as blogueiras fast-fashions do look do dia personagens démodé.