Cultura do desperdício – uma preguiça

Cultura do desperdício – uma preguiça

Silvia Feola

24 Novembro 2015 | 09h04

32;0;257;289

32;0;257;289

 

Uma estrela de Hollywood se casa e usa 4 vestidos de noiva no fim de semana de seu casamento. Pouco importa se um deles é de uma estilista brasileira: o que devia chamar atenção na notícia é o fato de ela usar 4 vestidos desnecessariamente.

O hábito tornado comum de as atrizes trocarem de vestido para o after party poderia causar um pouquinho de estranheza nos dias de hoje. Faria bem para o mundo.

É certo que a moda trabalha com o desejo e tudo bem a gente querer ter coisas. Mas existe um limite racional entre a posse de bom-senso e o puro desperdício.

Como as festas que distribuem mil óculos de plástico que vão para o lixo em segundos, e cujo único propósito em sua curta existência foi o de alimentar a indústria do trabalho inútil e mal-pago na China.

Como no romance Balada Russa, de Wladimir Kaminer. Em tom autobiográfico, o autor conta a sua experiência em participar de uma filmagem de cinema, em que tudo era calcado no desperdício, em que se compra coisas novas para jogar tudo fora de novo e por aí vai. De acordo com ele – um russo exilado em Berlim pós-queda do muro – isso figura como um comportamento típico da civilização ocidental.

Nosso mundo, que coloca o trabalho como o maior gerador de riquezas, não põe limites na inutilidade das coisas. E enquanto isso a gente vai cultivando e glorificando o vazio.