Da minissaia à liberdade

Da minissaia à liberdade

Silvia Feola

16 de julho de 2015 | 12h32

minijupe

 

O cana francês Arte+7 lançou essa semana, em seu site, um documentário belga produzido em 2011, sobre a Minijupe, ou minissaia, em português.

Nele, é feito um retrato histórico e sociológico da peça que revolucionou o vestuário feminino, criada nos anos 60 pela inglesa Mary Quant.

Nascida nos anos que marcaram o movimento social de emancipação feminina, a minissaia foi imediatamente aceita como um item libertário e transgressor, que dava às mulheres um sentido de poder sobre o próprio corpo. Poder de mostra-lo livremente, assim como de usá-lo a seu favor.

E é justamente aí que reside o paradoxo da minissaia: a peça tornou-se um símbolo de feminilidade, mas por detrás do seu aparente poder de sedução, há uma constante submissão: a liberdade adquirida com o fim do recato, do pudor no modo de se vestir, outrora exigido às mulheres, deu lugar ao aprisionamento do (rigoroso) cuidado com o corpo.

Mostrar o corpo passou a ser o equivalente a ter um corpo para ser mostrado.

Uma exigência que ainda hoje recais muito mais sobre as mulheres do que sobre os homens.

O vestuário feminino nunca alforriou-se de fato do domínio masculino.

As conquistas do movimento feminista deram às mulheres a chance de participar do universo dos homens, mas nos moldes em que este havia sido estabelecido por eles.

Isso é bastante claro na moda, nos símbolos diários de comunicação social.

A mulher emancipada dos anos 60 e 70, passou a usar terno, gravata; e praticamente tudo o que remetia tradicionalmente ao gênero oposto.

Nesse exercício de libertação, as mulheres adquiriram os símbolos que, no âmbito social e do mercado de trabalho, marcavam o que era próprio do homem.

Mas o contrário nunca aconteceu. A saia e o vestido nunca ingressaram de forma maciça no vestuário masculino; nem mesmo no universo infantil.

Os marcadores de gênero contidos nas roupas continuam a ser aquilo que marca o gênero feminino: brincos, fitas de cabelo, saias, vestidos, e a clássica cor rosa.

Para um bebê menina é completamente aceitável que vestir o azul, o preto, o verde, a calça, não usar brinco, nem tiara; nenhuma dessas coisas implica que a garota esteja sendo masculinizada pelos pais.

Mas dificilmente o contrário seria aceitável. Às vezes, uma sutil blusa rosa em um menino pode levar a confusões.

O caminho que leva da minissaia à liberdade ainda é incompleto.