Destruição de restaurantes árabes em resposta aos ataques de Colônia

Silvia Feola

12 Janeiro 2016 | 11h27

Protestos da extrema-direita tomaram a cidade alemã de Leipzig em consequência aos ataques sexuais recentes em Colônia, perpetrados por refugiados que imigraram para a Alemanha.

O que começou como um ato pacifista, se transformou em ataques a restaurantes árabes e cadeias de um famoso fast food que vende kebab.

Os ataques a esses restaurantes de comidas típicas do Oriente Médio são extremamente emblemáticos: destruir símbolos da cultural local é algo que temos visto frequentemente, de magnitudes, claro, muito distintas, na luta sectária entre xiitas e sunitas no mundo árabe, especialmente nos atos do Estado Islâmico.

Mas, mantidas as devidas proporções, o ser humano não sabe lidar com a alteridade.

A revolta com a massa de imigrantes provenientes da região está sobretudo relacionada a um choque entre culturas.

Com a crise da imigração na Europa o crescimento da xenofobia era esperado, mas o que assusta é que não é apenas o temor de ver seus postos de trabalho sendo ocupados por imigrantes o que está em jogo.

Como a primeira economia da Europa, a Alemanha não está economicamente ameaçada pela onde de imigrantes. Mas a ideia de controle da situação, tão cara aos alemães, como bem disse Angela Merkel, sim.

Nesse sentido, a questão cultural é um ponto muito mais amplo e, justamente por isso, muito mais relevante.

Pensar em como inserir economicamente essa parcela nova da sociedade é um desafio. No entanto, o desafio muito maior é saber lidar com o crescimento dentro de uma sociedade de grupos étnicos que trazem consigo (e tem de trazer!) hábitos culturais e sociais tão distintos, como o machismo que se apresenta sem pudor, por exemplo.

Obviamente, os ataques sexuais devem ser punidos pela lei. Mas existem questões mais sutis e mais difíceis, como trazida à tona pela polêmica lei que proibiu o uso da burca e do véu integral em público na França.

Embora a corte europeia tenha considerado a lei válida, até que ponto essa medida não fere a liberdade individual das mulçumanas? Nos acostumamos a pensar que essas mulheres estão submetidas ao véu por uma imposição familiar e cultural, da qual elas não veem a hora de serem livres, mas muitas delas acreditam que o véu é um objeto que impõe respeito à mulher.

Como lidar com o público e o privado – com a vida coletiva de particulares diferentes – é de novo o próximo grande ponto a ser repensado pela Europa.