Em Hollywood o feminismo parece não valer para o figurino da festa

Em Hollywood o feminismo parece não valer para o figurino da festa

Silvia Feola

01 de março de 2016 | 11h35

As mulheres do show business norte-americano levantaram suas vozes pela igualdade salarial de gênero, por mais papéis que tirassem o estigma da mulher frágil e indefesa, e aderiram maciçamente à campanha “Ask her more”, cujo intuito é colocar em evidência o sexismo presente nas entrevistas no tapete vermelho, na qual a grande pergunta – direcionada quase exclusivamente às mulheres – é qual a marca do vestido que você está usando.

Mas no final (quase) todas foram à premiação do Oscar cobertas dos mais clássicos estereótipos femininos: da princesa – com ênfase no estilo sereia – à femme fatale, com caras e bocas compondo o traje, a maioria apostou no óbvio na tentativa de ganhar o concurso, agora “velado”, de melhor look da festa.

Alicia Vikander, vencedora do Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel no filme “A Garota Dinamarquesa”, não apenas foi vestida de princesa (memes da internet a  compararam à personagem Bela, do filme da Disney “A Bela e a Fera”) como posou para fotos fazendo pose de mocinha em seu Louis Vuitton amarelo.

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A diferença entre esse vestido e o longo verde Calvin Klein da atriz Saoirse Ronan é sutil e enorme.

Numa festa que se pretende, nos últimos anos, ser cada vez mais politizada, a simbologia daquilo que se veste é importante. Moda também é linguagem, e uma das mais relevantes em determinados meios.

Diante de tantos óbvios, quem poderia ter se destacado positivamente por ir vestida de si mesma ganhou significativos olhares de estranhamento.

A vencedora do prêmio de melhor figurino por “Mad Max: Fury Road”, a inglesa Jenny Beavan (que também ganhou o BAFTA desse ano pelo mesmo filme), viu sua ida até o palco para receber o prêmio ser acompanhada de olhares bizarros e de poucos aplausos. Especula-se se a causa teria sido o choque provocado pela sua jaqueta preta de couro com uma caveira vermelha e prata estampada, ou se ela estava vestida tão fora do padrão que os convidados demoraram a entender que era ela a vencedora.

Nem vale entrar no mérito de que a jaqueta é da loja de departamentos Marks & Spencer, porque o argumento de baixo custo versus alto padrão não tem lugar num evento cujos looks de grande parte das atrizes é “patrocinado”.

A questão é que a baixa receptividade de Jenny Beavan poderia ter passado em branco na festa. Mas tanto não foi que a figurinista ficou incomodada a ponto de dar entrevistas se explicando que não fica bem de vestido.

De qualquer forma, pelo menos na internet, Jenny Beavan roubou a cena e tem ganhado elogios nas timelines.

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