Independência da Catalunha parece ter perdido força

Silvia Feola

22 de dezembro de 2015 | 12h38

A Espanha vive dias de incerteza acerca da composição governista.

Embora Mariano Rajoy tenha sido reeleito nas eleições de domingo, sua legenda, o Partido Popular, conseguiu apenas 123 deputados diante dos 176 necessários para ter a maioria absoluta no Parlamento. Isso significa que a melhor opção para o PP é buscar uma coalização que dê estabilidade ao governo.

O segundo e terceiro partidos mais votados foram o Partido Socialista Operário (PSOE) e o Podemos. Mais à esquerda do que o conservador PP (embora de modos distintos), ambos já prometeram votar contra a recondução de Rajoy ao cargo.

Para Pablo Iglesias, líder do Podemos, qualquer aliança do partido está condicionada à garantia de um referendo que permita ao povo catalão escolher se quer ou não sua independência.

Ainda que o Podemos defenda a consulta popular como imprescindível, e acredite na convocação de um referendo que debata a permanência ou não da Catalunha como região autônoma da Espanha, o partido não se posiciona como contra ou a favor do movimento independentista.

De todo modo, vale notar que os movimentos separatistas perderam força nos últimos tempos.

Num momento em que o mundo vive a enorme crise dos refugiados de guerra, fica difícil ser muito bairrista e defender linhas imaginárias que separam “nós” e “eles”.

Mostra disso é o fato de que, na Europa, no momento, são os partidos de extrema direita aqueles que se posicionam mais ferozmente contra a permanência na União Europeia, ou até mesmo contra a manutenção do acordo de Schengen, que garante a abertura das fronteiras para a livre circulação de pessoas entre países europeus.

De qualquer forma, o movimento de independência da Catalunha parece ter perdido força. Seja por um desânimo gerado pela derrota do movimento de independência da Escócia do Reino Unido, ou seja porque, no âmbito europeu, o nacionalismo exacerbado tenha trazido lembranças um pouco incômodas. Fato é que 40% dos eleitores escolheram partidos pró-Espanha e Arthur Mas, o independentista presidente da região da Catalunha, sucesso em 2011, conseguiu apenas o quarto lugar, com 15% dos votos, na eleição de domingo.

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