Moda “sem gênero” no universo infantil

Moda “sem gênero” no universo infantil

Silvia Feola

01 Abril 2016 | 10h08

A corrente genderless que surgiu com força ainda no ano passado no âmbito do vestuário tem ganhado cada vez mais espaço. Não é por menos, dado que o fato vem da própria necessidade capitalista de atender a novas demandas de mercado, em especial a da nova geração, cujas fronteiras de gênero se encontram cada vez mais fluídas.

Mas não é só ao público já pré-existente que essa nova forma de vestir se dedica. Ela pode ser usada por todos e qualquer um. A ideia de versatilidade no guarda-roupa vai em uníssono com a ideia bastante atual de um consumo mais consciente. O destaque das peças está em sua neutralidade, tanto de formas quanto – em geral – de cores e estampas. O que também colabora para dar mais agilidade e facilidade na hora da compra, cada vez mais online.

Uma moda mais preta e branca? Talvez sim, talvez não.

O mais interessante é pensar nos efeitos a médio e longo prazo dessa tendência no universo infantil, um espaço ainda muito autoral dos estereótipos de gênero que levamos adiante na vida.

Toda criança pequena se encanta por coisas brilhantes e coloridas, por exemplo; isso só se torna exclusivamente feminino por uma imposição social e de mercado que as crianças acabam por absorver bem cedo. Assim como a seção de brinquedos coloridos x brinquedos cor-de-rosa nas lojas, entre muitas outras coisas.

Quando paramos para pensar sobre o assunto, vemos que os marcadores de gênero estão, na esmagadora maioria das vezes, no feminino e desde sempre no universo das crianças: laços, brincos, pulseiras, saias, vestidos.

O guarda-roupa masculino foi invadido pelas mulheres ainda no século passado, por uma série de fatores: as grandes guerras mundiais colaboraram para impulsionar o movimento feminista nessa direção, em grande parte pela entrada da mulher no mundo do trabalho e, principalmente, do trabalho braçal nas fábricas. Mas o contrário nunca aconteceu.

Então, surgem recentemente campanhas que tentam mudar um pouco essa lógica, como a da Louis Vuitton com Jaden Smith, filho do ator Will Smith, usando saias e trajes unissex; ou coleções como a da Melissa, da C&A, e mais ainda, uma seção inteira na Selfridges dedicada a marcas livres de gênero.

Na moda infantil, o tema ainda está em ascensão. Algumas marcas já fazem coleções em preto e branco, e mesmo coloridas, visando formas neutras, a fim de atingir os dois públicos.

É muito bom pensar que essa questão ganha novos contornos, mais neutros e menos estigmatizados. A moda é um meio eficaz de impelir a mudança, tão na pauta do dia. Afinal, todos estamos vestidos o tempo todo e em todos os lugares em que nos relacionamos com outros.

 

iglou

Iglou Kids

ateliecuicui

Ateliê cui cui

melissa

Melissa – Oxford Grunge

melissa2

Melissa – sandália Flox Unissex