O risco de a Grécia sair da zona do euro

O risco de a Grécia sair da zona do euro

Silvia Feola

29 de junho de 2015 | 12h52

83591-Greek+evolution+funny+pictures

Para um pacote maior de ajuda ao refinanciamento e adiamento da dívida grega, a troika (Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia) exige que o governo grego dê garantias de maiores medidas de austeridade, além de cancelar o referendo programado para a próxima semana, no qual a população grega deve escolher se aceita ou não a proposta de um projeto que amplie a austeridade como meio de resgatar o país da bancarrota.

O problema é que o governo grego está numa encruzilhada.

Alexis Tsipras não pode simplesmente ceder às exigências por mais austeridade, nem renunciar à realização do referendo da semana que vem.

Seu governo foi eleito justamente com a proposta de reduzir a austeridade imposta pelos credores da Grécia.

Logo, para não ter seu governo desacreditado pelo povo que o elegeu, o referendo lhe parece um meio de garantir o aceite da população quanto à imposição das condições de resgate da troika.

Revogar o referendo a essa altura também o fará ser desacreditado pela população, que terá de encarar a dura realidade de que Atenas está mais nas mãos dos credores do que do próprio governo eleito.

Ao mesmo tempo, se Tsipras manter-se irredutível às exigências da troika, pode torná-lo o responsável pela saída da Grécia da zona do Euro.

Embora alguns analistas acreditem que o melhor, tanto para os gregos quanto para o resto da Europa, é que a Grécia deixe a zona do Euro, as consequências não parecem tão fáceis de serem assimiladas.

Muitos creem que abandonar o Euro implica deixar também a União Europeia.

O cenário, nesse caso, prevê que a Grécia viva a curto prazo uma difícil e longa recuperação, diante da qual é muito provável a queda do governo.

Ainda que a União Europeia acabe por se beneficiar economicamente com a saída dos gregos, politicamente ela representa uma derrota simbólica para todo o projeto de união.

Como a ideia de União Europeia pode sobreviver diante do abandono a um dos seus membros?

Se a Grécia sair da UE, e a Europa sobreviver a isso, é mais um motivo para provar ao Reino Unido que o “Brexit”, como é chamado o referendo previsto para 2016, que propõe a saída da Grã-Bretanha da União Europeia, é possível e aceitável.

De qualquer forma, a saída da Grécia não coloca boas perspectivas no horizonte europeu.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: