Showman na Casa Branca

Showman na Casa Branca

Silvia Feola

05 Agosto 2015 | 10h40

trump

 

Amanhã, a rede de TV Fox News exibe o debate com os principais candidatos às primárias republicanas.

Donald Trump segue em primeiro nas pesquisas com 19% da intenção de votos, à frente de Scott Walker, com 17%, e de Jeb Bush, com 15%.

A maior parte dos 17 nomes que concorrem à nomeação pelo partido são desconhecidos do público em geral. Por isso, é muito provável que Trump esteja na frente justamente porque seu nome é o que soa mais familiar a muitos dos entrevistados.

Mas não deixa de impressionar que suas declarações racistas e xenófobas, divulgadas amplamente pela mídia, ainda não tenham sido capazes de abalar a sua fama.

Principalmente porque, nos últimos anos, a ala ultraconservadora dentro do Partido Republicano, o Tea Party, perdeu boa parte da força que mostrou nas primárias de 2012. Na época, Mitt Romney, considerado sóbrio em suas opiniões políticas, teve de fazer concessões que atendessem ao grupo mais radical do partido para conseguir sua nomeação.

Por outro lado, nas eleições de 2016, os pré-candidatos que seguem mais à frente nas sondagens são os que se mostram mais próximos de opiniões moderadas. Exceto por Donald Trump.

E isso num contexto em que pesquisas recentes mostram que os mexicanos (principal origem da imigração nos Estados Unidos e alvo das polêmicas de Trump) não simbolizam mais uma grande ameaça ao american dream.

Demógrafos das Universidades do Texas e de New Hampshire divulgaram em julhos desse ano que a imigração do México para os Estados Unidos tem caído drasticamente desde o seu pico em 2003. Uma outra pesquisa, feita pelo ImmigrationWorks USA, constatou que a maioria dos norte-americanos apoia reformas de imigração que estabeleçam normas para os que trabalham ilegalmente em subempregados.

É fato que até o momento da escolha do partido muita coisa deve mudar. Talvez Trump consiga aumentar os seus índices de rejeição logo depois do debate de amanhã.

Mas por enquanto, vale pensar que talvez sua opinião sobre a imigração pouco importe. Bem-sucedido homem de negócios, ele é um “magnata” do setor imobiliário. Fez sucesso por causa da sua riqueza e por sua vida particular luxuosa e, por vezes, escandalosa, fruto do seu dinheiro. Em 2004 estreou como apresentador do programa de reality O Aprendiz, mas a essa altura seu nome já estava feito, tanto na esfera dos negócios quanto no mundo do show business.

Suas qualidades estão, aos olhos do público médio, muito mais conectadas com o fato de que ele representa a realização plena do homem, numa cultura que acredita que todos têm oportunidades iguais, simplesmente por aqui é a América, e esse é um “país livre”.