Sociedades desiguais praticavam mais sacrifícios humanos

Silvia Feola

06 Abril 2016 | 12h17

Estudos publicados na revista Nature e reportados pelo The Guardian mostram que os rituais de sacrifícios humanos eram menos comuns em sociedade mais igualitárias.

Cientistas da Austrália e da Nova Zelândia analisaram 93 culturas de sociedades passadas de diferentes locais, todas tendo em comum a mesma origem ancestral: Taiwan. São as chamadas culturas Austronesianas.

Com o enfoque nessas culturas organizadas e politicamente bastante estruturadas, os cientistas concluíram que há uma forte ligação entre a realização de oferendas humanas em rituais religiosos de sacrifício e a manutenção das hierarquias sociais.

De todas as 93 culturas analisadas, 43% mostraram grande disseminação dos rituais de sacrifício e similaridade entre os métodos. Vinte das 93 foram consideradas sociedades igualitárias, das quais apenas 5 incluíam esse tipo de rito social.

De acordo com Joseph Watts, da Universidade de Auckland, “os sacrifícios eram geralmente orquestrados pelas elites sociais, como chefes ou padres, e as vítimas eram escolhidas dentro dos grupos de menor status, como escravos ou cativos”.

Como os humanos ofertados eram frequentemente oriundos das camadas mais baixas da população, o sacrifício servia, então, para garantir a conservação das estruturas de classe.

Quanto mais estratificada a sociedade, maior a presença de rituais de sacrifícios humanos, como um modo de manutenção das hierarquias sociais.

É interessante para pensarmos a construção das sociedades desde seu começo até os dias atuais.

Para o texto completo em inglês, acesse: https://www.theguardian.com/science/2016/apr/04/study-shows-human-sacrifice-was-less-likely-in-more-equal-societies