Um mercado onde tudo custa pouco mais de 1 real

Silvia Feola

04 de fevereiro de 2016 | 11h43

O dono da companhia aérea easyJet – conhecida por seus preços exorbitantemente baratos de passagens – abriu dia 02 de fevereiro, em Londres, a easyFoodstore, um mercado no qual todos os itens são vendidos a 25 pennies de libra esterlina, o que, posto em reais, sairia por volta de 1,10.

A chamada ‘promoção’ pretende ser válida para todo o mês de fevereiro, mas a previsão de aumento dos preços não almeja elevar os produtos acima dos 50 pennies, um valor ainda bastante baixo.

A ideia é de fato boa e interessante. Sem investir em mercadorias caras, a empresa consegue propor a venda de enlatados e empacotados sem marcas a preços que nos parecem surreais.

Mas como tudo, absolutamente tudo nesse mercado é industrializado, é impossível não pensar em como somos explorados por quem produz e por quem revende comidas manipuladas por máquinas, cuja quantidade de conservantes e químicos permitem serem armazenadas em praticamente qualquer lugar e em quase qualquer condição.

E como a loja não é um centro de caridade, temos que admitir que mesmo vendendo seus produtos a preços módicos os donos do estabelecimento continuam faturando. Logo, o custo da produção desses alimentos altamente industrializados parece de fato ser muito baixo para o fabricante, ao menos no Reino Unido.

A questão é se vale a pena para quem os consome.

A recém-inaugurada easyFoodstore viu suas prateleiras esvaziarem duas horas depois de abrir suas portas. Consumidores se amontoaram para conseguir encher suas sacolas de enlatados e muitos que estavam na fila do lado de fora saíram de mãos vazias, segundo o tabloide britânico Daily Mail.

A ideia da easyFoodstore explora o desejo de consumir das camadas mais baixas da sociedade, daqueles que anseiam por consumir quantidade mais do que qualidade, ou quem simplesmente não tem acesso suficiente a uma informação nutricional mínima.

Não à toa, a loja fica em uma área dita ‘não privilegiada’ do norte de Londres.

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