Uniforme sem gênero nas escolas inglesas

Uniforme sem gênero nas escolas inglesas

Silvia Feola

16 de junho de 2016 | 09h28

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Um grande número de escolas públicas do Reino Unido aderiu a um novo código de vestimenta, que coloca os uniformes escolares como “livres de gênero”.

Embora aqui o padrão seja definir a saia como uniforme feminino e a calça como masculino, lá, as meninas tendem a serem obrigadas a usar meias e saias, e os meninos calças, num traje geralmente acompanhado de gravata.

Agora não mais.

Ao menos em 80 escolas do Reino Unido, as meninas podem usar calças e os garotos saias, ou mais precisamente, agora os uniformes são divididos entre saias e calças, não importa por quem sejam usados.

A importância do tema é enorme.

Não apenas porque permite às crianças escolherem vestir-se como melhor se identificam, como também porque a ideia de eliminar a tradicional divisão entre “meninos e meninas” é que, a longo prazo, isso contribua para diminuir e até erradicar o bullying e a homofobia nos ambientes escolares.

Não à toa, a iniciativa é parte de um projeto do governo de apoiar crianças LGBT+ nas escolas, um modo de dar suporte aos questionamentos em torno de sua sexualidade.

Em janeiro, uma tradicional escola particular inglesa já havia mudado as regras dos uniformes para alunos transexuais, depois de colocar a proposta em discussão com muitos dos pais.

No Reino Unido, a ONG Educate and Celebrate, voltada para os direitos LGBT+, apoia a iniciativa dessas escolas, colocando-as entre aquelas que são as “Best Practice Schools” (leia-se, as que empregam as melhores práticas sociais).

Mas para além disso, o fim da cisão entre “roupa de menino e de menina” é inspirador como possível parte da solução – de longo prazo – para diminuir a desigualdade de gênero, que deve começar com os pequenos, em casa e nas escolas.

O interessante desse tipo de situação também é observar como a moda se conecta com a sociedade.

A roupa tem um papel social e político muito importante, que é percebido apenas sutilmente pela maioria das pessoas.

Percebemos quando estamos (ou quando o outro está) vestido adequadamente ou não, mas esquecemos a dimensão maior do que isso significa: a roupa torna a demarcação social, de classe e de gênero, visível e a traduz automaticamente em signos para nós, signos do vestir que são formamos em nós desde muito pequenos.

A maior parte das pessoas nem pensa sobre isso, mas vivencia isso, experimenta isso sem realizar.

A moda que opera como fenômeno social, como expressão do seu tempo, está nessas pequenas coisas do cotidiano, e não na passarela de 6 em 6 meses.

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