Advertência põe Rivaldo na defensiva

Edmundo Leite

06 de junho de 2002 | 15h18

(Texto originalmente publicado do Estadao.com.br  em 06 de junho de 2002 – 15h18, Quinta-feira)

Edmundo Leite

 

 

 

Ulsan, Coréia do Sul – A advertência da Fifa de que puniria Rivaldo com mais rigor se ele repetir a “malandragem” de tentar enganar um juiz durante uma partida deixou o atacante brasileiro na defensiva. Na entrevista que os jogadores da seleção brasileira deram antes do treino coletivo desta quinta-feira, arrancar uma declaração do jogador sobre o que as autoridades da Fifa falaram dele foi uma tarefa difícil: “Não vou comentar nada sobre isso. Não vou falar nada”, disse, enfático e assustado.

 

A Fifa não gostou de ver o brasileiro dizer, depois de ser multado em cerca de US$ 7 mil, que não mudaria seu comportamento por causa da punição. Para piorar, Rivaldo ainda afirmou que malandragem faz parte do futebol e que, dependendo da situação, poderia até fazer de novo algo parecido com o que fez no jogo contra a Turquia: simular que havia sido atingido no rosto, quando levou uma bolada nas pernas. “Se o Rivaldo continuar com este comportamento em campo, será severamente punido”, garantiu o diretor de Comunicação da entidade, Keith Cooper.

 

O presidente do Comitê Disciplinar da Fifa, Marcel Mathier, também não economizou nas críticas do comportamento de Rivaldo. “É lamentável que um jogador do nível do Rivaldo possa agir desta maneira”, afirmou. “Isso é enganar o árbitro, os jogadores, os torcedores.”

 

Diante da dureza dos dirigentes da Fifa, Rivaldo adotou a estratégia de ficar mudo sobre o assunto quando se dirigia para o campo de treinamentos. Mas o caminho que separa o vestiário do gramado é longo e as perguntas acabam se repetindo, por causa da impossibilidade de se falar para todos os repórteres ao mesmo tempo. Se no começo do corredor ele se recusava a falar, no final já arriscava a comentar o episódio, ainda que com muita cautela. “São coisas quem o jogador faz e não para prá pensar na hora”, dizia, explicando que a malandragem não é um comportamento planejado.

 

Já o técnico Luiz Felipe Scolari não se intimidou em criticar a repercussão das falas de Rivaldo entre os dirigentes da Fifa. Para ele, a entidade deveria erguer uma placa gigante para Ronaldinho Gaúcho, que no jogo contra a Turquia devolveu uma bola para os adversários quando poderia marcar um gol. “Isso, que foi uma grande demonstração de fair play (jogo limpo), ninguém comenta, só ficam falando do lance do Rivaldo”.

 

 

 

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