(Bom?) e velho Rock and Roll

(Bom?) e velho Rock and Roll

Edmundo Leite

24 Setembro 2011 | 15h48

Levantamento do Estadão comprova: roqueiros do Rock in Rio estão mais senis a cada edição

Desde a histórica primeira edição em 1985, os organizadores do Rock in Rio gostam de destacar os números do festival. Principalmente os superlativos: milhões de sanduíches vendidos, 250 mil pessoas num único dia, toneladas de som e luz, centenas de técnicos, dezenas de atrações. Mas na edição que começou ontem é um número pequeno que chama a atenção: o de novidades. Dos 35 artistas escalados para se apresentar no palco principal, apenas três podem ser chamados de tal: Ke$ha, Janelle Monáe e Katy Perry.

As três moças, que têm entre 24 e 26 anos de idade, são as únicas atrações com menos de 5 anos de carreira a encarar um público de gente grande nesta quarta edição em solo brasileiro. Os novatos farão apenas 8,5% dos shows. Nem sempre foi assim. Na primeira edição, as atrações com aquele gosto de coisa fresquíssima eram mais de um quarto da turma (27%). O Kid Abelha havia lançado o primeiro disco apenas no ano anterior. Paula Toller, com 22 aninhos, foi a mais jovem a pisar no palco. Os Paralamas contavam apenas dois anos de carreira. Blitz e Barão Vermelho, três. O Iron Maiden, com 5, chegava cheio de energia e fúria canalizadas nos 26 anos do vocalista Bruce Dickinson. E com um disco novinho em folha, Powerslave, clássico desde que veio à luz. Em 1991, o porcentual de jovens atrações foi mantido com nomes que iam do Deee Lite ao Guns n’ Roses, que vinha com status de atração principal. Ed Motta, então com 19 anos, foi o novato da vez.

Na terceira edição, em 2001, a moçada diminuiu um pouquinho, para 20%, mas nada que comprometesse o equilíbrio na mistura de jovens e velhos talentos.

Já a turma de veteranos (artistas com mais de 15 anos de carreira), vem ocupando cada vez mais espaço. Nos 26 anos que separam esses Rock in Rio, aqueles com direito a atendimento preferencial passaram de 37,9% para 45,7%, quase metade das atrações deste encontro de 2011. Em 1991, o pessoal do baile da saudade era apenas 22,5%. Das quatro edições, foi a mais antenada com a produção musical da época. Além de um bom número de novidades, metade das atrações era composta por nomes reconhecidos (com 6 a 10 anos de carreira) e consagrados (11 a 15 anos).

Os organizadores certamente dirão que vários novatos estão espalhados pelos três palcos periféricos e que são até maioria dessa vez, com seus shows em horário de matinês. Mas ao não permitir que passem pelo teste de público de verdade, trata os jovens artistas como aqueles estudantes que não concluíram o ensino médio, mas prestam vestibular como treineiros. Ou, como se dizia, “café com leite”.
Arte do infográfico Linha do Tempo: Glauco Lara

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