Falta meio

Edmundo Leite

04 Abril 2007 | 06h25

Seja qual for o número de gols que o atacante tenha marcado em sua vida, a contagem precisa de um pequeno reparo: o acréscimo de meio gol.

Ao contrário de alguns gols que ninguém viu, o meio gol de Romário foi assistido por milhões de pessoas no mundo inteiro. A proeza que elevaria a conta atual para 999,5 gols aconteceu no finzinho do dramático jogo da seleção brasileira jogo contra a poderosa Holanda nas quartas-de-final da Copa do Mundo de 1994.

Depois de um primeiro tempo sem gols, o Brasil abriu o placar com Romário nos primeiros minutos da etapa final. Logo depois Bebeto aumentou e fez a histórica comemoração em homenagem ao recém-nascido filho Matheus. Quando tudo parecia apontar para uma vitória tranqüila do Brasil, Bergkamp e Winter levaram o jogo ao empate. Os minutos finais eram de tensão total quando o juiz marcou uma falta em Branco. A cobrança de fora da área de Branco que definiria a vitória brasileira entrou para a lista dos mais belos gols em Copas.

E é por esse lance que Romário merecia ter o nome na súmula dividindo o crédito do gol com Branco. Posicionado na área para aproveitar um eventual rebote, o atacante passou correndo rente à trajetória da bola. Se tivesse batido nele, poderia até espirrar para fora. Mas num lance que mostra toda a sua genialidade e visão de jogo, Romário contorceu levemente as costas para frente deixando o exato espaço para que a bola seguisse seu caminho para o cantinho do gol. O lance que comprova o meio gol de Romário pode ser visto com riqueza de detalhes no filme oficial da Copa, Todos Os Corações do Mundo, dirigido pelo brasileiro Murilo Salles.

Curiosamente, na transmissão da TV Globo, que punha na tela a assinatura do autor quando reprisava o gol, é possível ver aparecer rapidamente no vídeo uma imagem do grafismo com o nome de Romário sobre as imagens de Branco comemorando. Muito justo.

Assinatura do Romário no gol do Branco

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Texto originalmente publicado no blog Bate-Pronto