Felipão tenta justificar ressentimento

Edmundo Leite

09 de junho de 2002 | 21h42

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 09 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Ulsan – A cada dia que passa, ficam mais tensas as entrevistas do treinador Luiz Felipe Scolari. Após reclamar, no sábado,de que mesmo ganhando de 4 a 0, muitos ainda tratavam o Brasil como “os piores do mundo”, o treinador dedicou um bom tempo da entrevista coletiva deste domingo para explicar as suas declarações de depois da partida. “Eu fico um pouco surpreso com algumas das críticas. Recebo 90% de elogios das pessoas que falam com a gente e quando subo lá (no local das entrevistas após os jogos) só vejo pergunta ruim, coisas que não condizem com a realidade”, disse logo após dizer que dividia com a torcidaa alegria e satisfação da classificação garantida para a segunda fase.

Além da sua játradicional reclamação com o que considera críticas injustas,Scolari teve ainda de explicar o incidente com um fotógrafo, hoje, na saída do hotel para o campo de treinamentos. Primeiro ele tentou ser irônico, dizendo que fazia apenas um sinal de OK com a mão. Mas logo depoisentrou em polêmica com o autor da foto, que captou o momento em que o treinador reclamava do fotógrafo comum gesto obsceno. “Eu já vi o que vocês fizeram com o outro técnico”, disse, sem especificar ao que se referia.

Sobre o próximo jogo do Brasil, contra a Costa Rica, Felipão disse que ainda não decidiu se pouporáalguns jogadores titulares. Elogiando o preparo físico do time, que segundo ele está voando baixo,o treainador disse que poderá fazer alguma mudança por caussa dos cartões amarelos, ou por recomendação médica. “Ainda não penso em poupar ou clocar ninguém. Temos três dias pensar sobre alguns atletas, algunscom cartão, mas só vou definir um dia antes do jogo”.

Por enquanto, a preocupação de Scolari é motivar os jogadores e tirar da cabeça deles de que o Brasil está em melhor situaçào que outros grandes. “Não somos melhores que ninguém. Por enquanto somos apenas 16 classificados dos 32”, disse o treinador, que consideraque Brasil está jogando 65% do que pode nessa Copa do Mundo.

Para o próximo jogo, o treinadortambém tem uma preocupação a mais: Denílson, que está abatido pelo desempenho no jogo contra a China. “Para mim ele jogou bem, mas alguma coisa fora pode estar o incomodando. Estamos há 28 dias fora e pode ser isso”.Ele disse já ter conversaso com o jogador e descartou não utilizá-lo nos próximos jogos. “O crédito que o Denílson tem comigo não acaba”.

# Copa de 2002 – Coréia do Sul/Japão