Ingleses, uma má lembrança para os palmeirenses da seleção

Edmundo Leite

19 de junho de 2002 | 22h24

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 19 de junho de 2002)


Edmundo Leite


Hamamatsu, Japão – Enfrentar o futebol inglês não é novidade para os jogadores da seleção brasileira. Com uma grande parte da equipe atuando na Europa, muitos já disputaram várias partidas contra times ingleses pelas competições européias, como a Copa dos Campeões e Copa da Uefa. Mas para três jogadores da seleção e alguns integrantes da comissão técnica, incluindo o técnico Felipão, a lembrança do futebol inglês é amarga.


Traumática, pode-se dizer, se for levado em consideração que era o jogo mais importante de suas vidas até então e que foi no mesmo Japão onde nesta sexta-feira o Brasil enfrenta a Inglaterra pelas quartas-de-final da Copa do Mundo. A final do Mundial Interclubes contra o Manchester, em 1999, seria a realização de um sonho palmeirense, mas o Manchester estragou a festa, vencendo o jogo em Tóquio por 1 a 0.


Da atual seleção, o goleiro Marcos, o lateral Júnior e o zagueiro Roque Júnior faziam parte do time que amargou a derrota em Tóquio. Todos dizem que a fatídica partida contra o Manchester já faz parte do passado e fazem questão de desfazer qualquer associação com o decisivo jogo desta sexta-feira contra os ingleses. “Isso foi em 1999, já estamos em 2002”, apressa-se responder o goleiro Marcos, que na ocasião falhou no gol marcado pelo time inglês. “Nem lembro mais disso, agora só penso em seleção”.


O fato de o Manchester contar com alguns estrangeiros também é um argumento para minimizar a comparação. O autor do gol foi o irlandês Roy Keane, depois de um passe de Ryan Giggs, do país de Gales. Daquele time que derrotou o Palmeiras, estão na seleção inglesa os meias David Beckham, Paul Scholes e Nicky Butt.


“São momentos diferentes”, diz o técnico Felipão, que na época já contava com vários auxiliares que o acompanham agora na Copa do Mundo, como o auxiliar técnico Murtosa, o preparador físico Paulo Paixão e o preparador de goleiros Carlos Pracidelli. “Lá era clube e aqui é seleção. E também não é uma final, um jogo só como foi lá em Tóquio. Não tem lembrança nenhuma”.


Para o zagueiro Roque Júnior, a lembrança, “se houvesse”, aconteceria somente quando o time chegou ao Japão, mas nem isso houve. “Isso já faz parte do passado”, diz o jogador, que depois do Palmeiras se transferiu para o Milan da Itália.

O lateral reserva Júnior, que também foi para o futebol italiano após deixar o Palmeiras, diz que a lembrança do jogo contra o Manchester em Tóquio não traz nenhuma motivação especial a ele. Mas, em meio a uma frase e outra, admite que seria bom se vingar dos ingleses pelo ex-clube. “Agora a gente quer inverter”.

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