Ninguém mais quer correr risco em rachão

Edmundo Leite

08 de junho de 2002 | 21h22

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 08 de junho de 2002)


Edmundo Leite


Seogwipo, Coréia do Sul – Nada como um susto para deixar as pessoas mais atentas. Com a contusão e o corte do volante Émerson ainda frescos na memória, o técnico Luiz Felipe Scolari adotou a cautela no treino de reconhecimento do gramado do estádio de Seogwipo, onde a seleção brasileira enfrenta a China neste sábado pela segunda rodada da Copa do Mundo.


Depois de comandar um treino tático, quase um mini-coletivo no local da partida, a comissão técnica começou os preparativos para o tradicional recreativo. Quando os auxiliares colocaram os paus que fazem as vezes de trave no meio do campo, começou a expectativa sobre qual seria a reação dos jogadores e do técnico, que haviam dito que nada mudaria depois que Émerson sofreu uma luxação no ombro quando brincava de goleiro no treino recreativo antes da estréia. Não foi bem assim.


Os jogadores de linha nem se preocuparam em trocar de posição, como tradicionalmente fazem. Felipão nem fez suspense e logo chamou os goleiros Marcos e Rogério para assumirem seus postos. Os jogadores mantiveram seus posicionamentos originais em campo: zagueiro na saga, meia no meio e atacante no ataque. Sem invenções.


A presença de Ricardinho ali ao lado era o sinal de que não era bom dar sopa para o azar. Nas entrevistas depois do treinos, todos afirmaram que não houve medo algum e que o que aconteceu com Émerson foi normal e poderia acontecer com qualquer um. “Foi só um treino leve mesmo”, disse Kléberson. “Ninguém tirou o pé por causa do que aconteceu com o Émerson”.


Gilberto Silva negou que houvesse excesso de zelo. “Cuidado tem que ter sempre, não houve nada disso”. O herdeiro da faixa de capitão de Emerson, o lateral Cafu, tentou dar uma outra explicação, mas não convenceu. “Existem várias formas de fazer reconhecimento do gramado. E hoje apenas optamos por fazer uma diferente da que fizemos na vez passada. Mas nosso comportamento não mudou em nada”.

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