No dia da Mulher, o melhor ‘ao vivo’ do rock brasileiro

No dia da Mulher, o melhor ‘ao vivo’ do rock brasileiro

Edmundo Leite

08 de março de 2010 | 15h40

Camisa de Vênus_Viva

8 de março de 1986. Clube Caiçara de Santos. Naquele dia internacional da mulher, o Camisa de Vênus realizava um show que se transformaria no melhor disco ao vivo do rock brasileiro. Sem remixagem, “Viva” capta uma incendiária apresentação da banda de Marcelo Nova, Gustavo Mullen, Karl Hummel, Robério Santana e Aldo Machado e uma platéia enlouquecida.

A data comemorativa não passou despercebida pelo grupo e Marcelo Nova aproveitou para dar seu recado. E, nesses tempos de eleição com duas candidatas concorrendo à presidência, uma frase do discurso do roqueiro chama a atenção:

“Hoje tem um monte de… Hoje tem um monte de mulher na platéia. Legal.

Hoje é o dia… Hoje é o dia internacional da mulher.

E nós queremos aproveitar a oportunidade porque o Camisa de Vênus tem sido acusado de ser uma banda machista, mas não é nada disso. Na verdade, o Camisa de Vênus é a única banda heterossexual do planeta. Né?

E então a gente não podia deixar de dizer que nós adoramos as mulheres. Sem você, nós não viveríamos em hipótese alguma. Inclusive eu acho que mundo só vai consertar o dia que a mulher tomar o poder, bicho. Tem mais tato, tem mais sensibilidade, tem mais carinho.

Agora que eu já enchi o ego de vocês pode arria as calçolinhas e vamos lá.”

Ao discurso desbocado de  Marcelo Nova seguiu-se a proibida “Silvia”,  relato de um corno recheado de palavrões sobre a sua mulher infiel. O disco ainda trazia outras duas canções com nomes de mulheres e histórias de violência contra elas: o clássico da banda “Eu Não Matei Joana D’Arc”, que recria a história da heroína francesa,  e “Bete Morreu”, relato de um estupro da garota mais popular da escola.

Uma pena que outra música como nome de mulher tenha ficado de fora do registro: “Lena”.

Marcelo Nova, agora sem o Camisa, vem preparando há tempos um disco sobre mulheres. A aguardar.

P.S.: Post em homenagem a uma grande mulher que estava do lado de fora do Caiçara naquele dia.

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