O dia em que o Brasil perdeu oito pênaltis

Edmundo Leite

30 de maio de 2002 | 21h00

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 30 de maio de 2002)


Edmundo Leite


Ulsan, Coréia do Sul – Perder um pênalti é normal. Dois, até acontece. Mas os jogadores da seleção brasileira conseguiram, no treino coletivo desta quarta-feira, a proeza de desperdiçar oito cobranças seguidas. Quatro pelos titulares e outras quatro pelo reservas. Má pontaria e boa colocação de Marcos contribuíram para o inusitado número. “Foi um dia infeliz para os atacantes. Hoje foi a nossa vez. E se analisar por esse lado dá uma motivação a mais”, disse o goleiro do Palmeiras, que até ganhou o status de “São Marcos” entre a torcida de seu time por causa de suas milagrosas defesas de pênalti.


A seqüência começou com Ronaldinho Gaúcho, que mandou para fora a cobrança de pênalti feito por Vampeta logo nos primeiros minutos do treinamento. O técnico Felipão resolveu mandar Ronaldo cobrar, mas o fenômeno também mandou a bola para fora. Nas duas tentativas seguintes, com Rivaldo e Juninho Paulista, a pontaria melhorou, mas a trave impediu que a bola entrasse no gol de Rogério Ceni. Felipão então resolveu parar com as cobranças e continuou com o coletivo.


No segundo tempo, Lúcio fez pênalti em Luizão e aí foi a vez dos reservas não conseguirem marcar. Logo na primeira tentativa, Marcos defendeu o chute de Edílson. Denílson tentou e mandou para fora, antes de Marcos defender os chutes de Luizão e Kléberson.


Os jogadores procuraram minimizar as cobranças desperdiçadas. “Isso não acontece todo dia. Se precisarmos, vai ser diferente”, disse Rivaldo. Edílson foi na mesma linha. “É bom errar agora. Pênalti é treinamento e aprimoramento”. Juninho e Denílson preferiram evocar um símbolo do azar para explicar o grande número de cobranças desperdiçadas. “Talvez tenha um sapo no gol”.


Felipão também pareceu não dar muita importância para o fato. “Eles treinam todos os dias. Ontem acertaram todos. É uma coisa que acontece, não estou preocupado”. Scolari explicou que Ronaldinho Gaúcho é o batedor oficial número 1 quando houver pênalti. “A seleção não é time de várzea que qualquer jogador pega a bola e resolve bater”, disse, mas sem revelar qual a ordem dos batedores seguintes se Ronaldinho não puder fazer a cobrança.


Lembranças – Cobranças de pênaltis desperdiças estão associadas a duas campanhas do Brasil em Copa do Mundo: uma fracassada e outra vitoriosa. Em 1986, no México, o craque Zico perdeu um pênalti no decorrer do jogo das quartas-de-final contra a França, que terminou empatado por 1 a 1, na prorrogação. Na decisão por pênaltis, Platini também errou, mas os franceses acabaram se classificando depois que Sócrates e Júlio César perderam seus chutes. Oito anos mais tarde, nos Estados Unidos foi a vez do Brasil se beneficiar com erros dos adversários e garantir o tetracampenato graças ao chute mandado para o alto por Roberto Baggio.

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