O que Thomaz Green Morton fazia no hotel da seleção brasileira em 2002?

O que Thomaz Green Morton fazia no hotel da seleção brasileira em 2002?

Edmundo Leite

12 de abril de 2020 | 17h26

Sem futebol ao vivo por causa da quarentena do coronavírus, a TV Globo decidiu reprisar neste domingo de Páscoa um dos mais importantes capítulos da história do futebol brasileiro e mundial: a final entre Brasil e Alemanha na Copa do Mundo de 2002, realizada na Coréia do Sul e Japão, quando o Brasil consagrou-se como o primeiro e único pentacampeão mundial.

Relembrando a histórica conquista, veio à mente um dos momentos mais inusitados da trabalhosa, mas ao mesmo tempo divertida cobertura jornalística da primeira copa em terras asiáticas.

Edmundo Leite, Silvio Barsetti, Wagner Vilaron e Thomaz Green Morton em Saitama

Com o Brasil cada vez mais perto do sonhado penta, o clima era de euforia no hotel da seleção brasileira em Saitama, às vésperas da semifinal contra a Turquia. Indo encontrar alguns dos companheiros do Estadão na cobertura, Silvio Barsetti e Wagner Vilaron, dois grandes repórteres que se hospedavam no mesmo hotel que a seleção, nos deparamos com Thomaz Green Morton no restaurante.

Mas o que fazia lá no hotel da seleção naquele momento chave o místico famoso por seu bordão energético ‘Rá!’ e de alegados poderes paranormais e conhecido por entortar objetos de metal e outras façanhas?

Thomaz Green Morton desconversava. Dizia estar ali apenas assistindo à Copa por lazer a convite de uma amiga brasileira agradecida a quem ajudou quando teletransportou, de um país para outro, uma mala que ela havia perdido numa viagem. Brincamos então que íamos pedir que teletransportasse nossas bagagens para o próximo destino, já que os deslocamentos entre os dois países e cidades eram uma das dificuldades da cobertura. Thomaz Green Morton gargalhava e nem se abalava com a desconfiança por trás da brincadeira.

Nem quando era desafiado diretamente a entortar alguns talheres ou moedas na nossa frente Thomaz Green Morton perdia o bom humor. Após nos presentear com umas moedas de real já dobradas como se fossem de papel e grudadas uma a outra sem nada aparente – “é a solda cósmica”, dizia –  justificava que não faria ali para não tumultuar o local. Mas contava, com testemunhas, que havia feito isso na noite anterior em um bar da cidade japonesa para delírio dos presentes.

Genuinamente divertido, carismático e engraçado, contava histórias e deixava um misterioso aroma agradável por perto. Em meio ao clima descontraído, tentávamos que respondesse se a CBF ou Ricardo Teixeira o havia contratado para fazer algum trabalho paranormal com o time brasileiro. Nada conseguimos a não ser mais respostas e histórias hilárias.

Até hoje nenhum jogador ou integrante da comissão técnica ou de apoio relatou se Thomaz Green Morton esteve com a seleção brasileira na Ásia e se seu ‘Rá!’ teve alguma influência no desempenho paranormal de Ronaldo e Rivaldo naqueles dias divertidos de junho de 2002.

Reveja a cobertura do Estadão no Penta em 2002

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.