Os minutos inesquecíveis de Kaká

Edmundo Leite

14 de junho de 2002 | 22h03

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 14 de junho de 2002)

Edmundo Leite

Suwon, Coréia do Sul – Foram apenas 19 minutos. Mas para Kaká serão inesquecíveis. Quando o técnico Luiz Felipe Scolari o chamou do banco de reservas para substituir Rivaldo, aos 26 minutos do segundo tempo da partida contra a Costa Rica, o jovem meio-campista do São Paulo diz que um filme passou pela sua cabeça. “Foi muito bom, muito gostoso. Naqueles minutos de espera na beira do gramado passa um filme, da realização de um sonho. Mas depois que entra é normal. Como se estivesse jogando no São Paulo.”

O caçula da seleção considera que teve uma atuação muito boa, que só não foi melhor por não ter conseguido chegar às redes. “Faltou o meu gol. Coroar a estréia com um gol seria mágico, mas fica para um outro jogo. Se tivesse marcado teria sido excelente”. Para ele, a falta de gols não foi por insegurança ou falta de confiança, mas por falta de sorte e também por não ser fominha. “Teve lances que eu tentei, mas não deu certo. É tentando que se acerta. E no último lance também poderia ter ido pra cima, mas às vezes tem que passar a bola para quem está melhor colocado”.

Quem estava melhor colocado no caso era o atacante Ronaldo, com quem Kaká mostrou um bom entrosamento. “É a primeira vez que eu jogo junto com o Ronaldo. Procurei ele pra tabelar porque é fácil jogar ao lado dele”, disse o são-paulino, que somente no treino da véspera havia tido a primeira chance de treinar entre os titulares, num trabalho tático, sem adversários, no estádio Olímpico de Seul.

Jogar junto de Ronaldo, como ponta de lança, foi a principal instrução dada por Felipão ao jogador na beira do campo, mas não foi a única. O técnico utilizou o são-paulino como um mensageiro para o restante da equipe. “Ele me pediu para orientar o pessoal para matar as jogadas adversárias e não deixar nascer as oportunidades. Fazer uma falta no meio-de-campo ou na defesa para que não surgisse o contra-ataque”.

Kaká considera que o não cumprimento dessas recomendações foi o que acabou prejudicando o trabalho da defesa, que deu muito trabalho para o goleiro Marcos. “O problema não é a defesa e sim o sistema defensivo, que começa no ataque e passa pelo meio-campo”.

Chances – mesmo considerando sua atuação muito boa, Kaká está consciente de que uma nova chance de jogar pode demorar ou nem existir nessa Copa. Por isso, ressaltou a importância da oportunidade dada por Scolari. “Ele está tentando dar oportunidade para todo mundo. Nem sempre é possível, mas como tivemos a felicidade de estar classificado na segunda rodada deu tudo certo para que aparecesse essa oportunidade, para mim, pro Kléberson”.

Se não aparecer uma nova chance, de qualquer forma, o jogo de hoje já está gravado, não só na memória do jogador. “Vou guardar não só essa, mas todas as fitas, mesmo as que estou no banco, para sempre”.

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