Paulo Coelho é homenageado com caneta de luxo e nome de rua

Paulo Coelho é homenageado com caneta de luxo e nome de rua

Edmundo Leite

14 de maio de 2008 | 05h37

Se o nome de Paulo Coelho já estava espiritualmente associado a Santiago de Compostela, a relação agora vai se tornar oficial. A cidade espanhola, destino final do caminho percorrido por milhares de peregrinos católicos – e outros nem tanto – decidiu dar um nome de rua ao escritor brasileiro, que popularizou o Caminho de Santiago pelo mundo depois que narrou a sua viagem pelo roteiro místico no livro O Diário de Um Mago.

O batismo do nome da rua – no dia 23 de junho – faz parte das comemorações de 20 anos, completados no ano passado, do lançamento do primeiro sucesso literário do escritor. “Quando soube da notícia, há seis meses, fiquei muito contente. Acho que é tudo que posso dizer a respeito”, disse o escritor, que a partir desta quarta-feira estará em Cannes acompanhando o festival de cinema da cidade francesa.

Além do nome da rua, Paulo Coelho ganhará outro presente pela efeméride. A grife italiana de canetas de luxo Montegrappa, da qual o escritor é embaixador (título que o mundo corporativo passou a dar às celebridades que fazem propaganda de suas marcas), lançará no mesmo dia uma edição comemorativa em homenagem a ele.

Ao contrário dos livros, lidos por milhões de pessoas, a caneta de Paulo Coelho é para poucos. Serão 1.947 exemplares, mesmo número do ano de seu nascimento: mil canetas tinteiro e 900 do tipo rollerball, em prata e esmeralda; e 47 tinteiro de ouro, com detalhes em esmeralda e diamantes. A caneta número 1 da edição especial será do próprio escritor. A número 2 será entregue à cidade espanhola na cerimônia de inauguração do nome da rua. As restantes chegarão ao mercado ao preço de 1.600 euros (R$ 4.400,00) e 8.700 euros (R$ 24 mil).

As canetas trazem estampadas no corpo o mapa da França e da Espanha com as diferentes trilhas de peregrinação. As pedras de esmeraldas marcam um dos pontos de partida (Saint-Jean-Pied-de-Port) e o de chegada da jornada que atrai milhares de peregrinos. A pena da caneta tem gravada uma borboleta, símbolo que Paulo Coelho leva tatuado no braço esquerdo há quase 30 anos. “É minha ‘aliança de casamento’ com a Chris (a artista plástica Christina Oiticica), que também tem a mesma tatuagem. Foi feita em 1980 no Marrocos e é o símbolo da alquimia – ou seja, um organismo vivo que passa de um estado (lagarta, rastejando) a outro (borboleta, voando) sem deixar de ser quem é”.

 Comemorações

 Após o festival, a agenda de Paulo Coelho está praticamente preenchida até agosto com eventos ligados às comemorações das duas décadas do livro que o projetou. O primeiro deles, acontece no Centro Cultural Oscar Niemeyer, em Asturias, na Espanha. Em Áviles, também na Espanha, acontecerão as principais comemorações, com exposição, palestras e leituras da obra do brasileiro. No mesmo dia da inauguração da rua em Santiago Compostela, Paulo Coelho também estará em Barcelona para receber o prêmio Elle de melhor escritor.

No fim de julho e começo de agosto as festas darão lugar às atividades acadêmicas, com o escritor participando do curso de verão da Universidade Complutense de Madri. O tema será “O escritor, o mercado e os novos suportes para a palavra escrita” e contará com a participação de Fernando Morais, que está finalizando uma biografia de Paulo Coelho. Os sucessivos adiamentos do lançamento do livro de Morais – que sairá pela mesma editora Planeta que edita os livros de Paulo no Brasil – está deixando o biografado um pouco apreensivo. “Acho que vou ficar sabendo mais de mim do que imagino.”

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