Rivaldo é multado em R$ 16 mil por encenação

Edmundo Leite

06 de junho de 2002 | 20h31

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 06 de junho de 2002)

 

Edmundo Leite

 

Ulsan, Coréia do Sul – A malandragem de Rivaldo que resultou na expulsão do turco  Hakan Unsal   no jogo de estréia da seleção brasileira na Copa do Mundo saiu barato para o jogador.  A Comissão Disciplinar da Fifa decidiu não aplicar nenhuma sanção esportiva ao meia do Barcelona, mas o multou em 11.500 francos suíços, que equivale a sete mil dólares  ou dezesseis mil reais.

 

Quase nada para quem ganha um salário anual de 7 milhões de dólares.

 Rivaldo foi a julgamento por causa sa encenação no finalzinho da partida de segunda-feira, quando  o jogador turco chutou a bola na direção do atacente brasileiro.  A bola o atingiu na perna, mas o jogador do Barcelona rapidamente levou a mão ao rosto e se jogou no  chão,  simulando ter sido atingido com mais gravidade do que foi. A Fifa vinha anunciado que puniria com rigor os casos de simulação, mas no primeiro caso limitou-se  a multa. Promete punições mais duras para os próximo casos.

 

 Rivaldo  cansou de repetir  que o fato já era passado, que não queria comentar o assunto, mas nào teve como escapar. Para o atleta do Barcelona, comentou-se muito sobre a sua atitude, mas pouco se falou da agressão do lateral-esquerdo Hakan Unsal, que acabou expulso na partida. “Independentemente se a bola acertou o rosto ou não, foi um lance de agressão, de violência”, justificou Rivaldo.

 

Autor do gol da vitória por 2 a 1 contra a Turquia, Rivaldo sente-se injustiçado. “Ninguém fala das coisas boas que fiz em campo”, lembra. Segundo ele, sua reação no lance da agressão foi algo normal no futebol. “Em um jogo, é preciso ter malandragem.”

 

Embora tenha admitido que a punição sirva de alerta para futuras situações semelhantes, Rivaldo não descartou a possibilidade de voltar a repetir sua atitude. “Não sei se faria de novo, vai depender do jogo”, comentou.

 

O atacante ainda não sabe se terá de pagar a multa ou o dinheiro virá da Confederação Brasileira de Futebol. “Se precisar pagar, eu pago”, garantiu Rivaldo.

 

Apoio – O lateral-esquerdo Roberto Carlos apoiou o comportamento de Rivaldo e fez uma exaltação à malandragem. “Futebol é um esporte inteligente e o Rivaldo foi inteligente”, opinou. “Em um lance que pode decidir uma partida, tem de ser esperto.”

 

Denílson foi um dos poucos jogadores a reconhecer abertamente a “simulação” de Rivaldo, como mesmo definiu o jogador do Betis. E foi irônico com a decisão da Fifa. “Se a Fifa tem direito de punir coisa como essa, tem que punir também as coisas piores que acontecem no futebol, como faltas violentas, que não recebem nenhum tipo de punição”, argumentou.

Denílson disse que não vai mudar seu estilo de jogo por causa da punição a Rivaldo, mesma opinião do zagueiro Roque Júnior. “Não vai ser um telão no estádio que vai me intimidar”, afirmou o zagueiro. “O jogador tem de ter consciência do que faz.”

 

O goleiro Rogério Ceni acha que o “crime compensa”. Para ele, Rivaldo estava “defendendo os interesses do Brasil.