Seleção se isola na Ilha de Jeju

Seleção se isola na Ilha de Jeju

Edmundo Leite

08 de junho de 2002 | 21h17

(Texto originalmente publicado no Estadao.com.br em 08 de junho de 2002)


Edmundo Leite


Seogwipo – Após dias de convivência no clima pesado da industrial Ulsan, a seleção brasileira mudou de ares e isolou-se. O time de Luiz Felipe Scolari chegou nesta sexta-feira de manhã (noite de quinta no Brasil) a Seogwipo, na bela ilha de Jeju, onde enfrenta a China pela segunda rodada da Copa do Mundo. O isolamento começou já na chegada, depois de uma hora de vôo desde Ulsan. A delegação sequer passou pelo saguão do aeroporto, entrando no ônibus ainda na pista e partindo para o Paradise Hotel, que fica na outra extremidade da ilha. Lá, evitaram qualquer contato externo.


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O nome do hotel é a melhor definição para a ilha. Com praias e cachoeiras belíssimas e outras paisagens encantadoras, Jeju é um verdadeiro paraíso. Em Ulsan, da janela do hotel onde o time está concentrado e a caminho do campo de treinamento, as paisagens eram indústrias e um estaleiro. No endereço dos próximos dias – a equipe volta a Ulsan na manhã seguinte ao confronto com a China – tudo é diferente. Ao lado do muro, uma trilha leva a uma bonita encosta de pedras no mar. O prédio principal do resort fica no meio de jardins repletos de palmeiras e muito verde.


O técnico Luiz Felipe Scolari quer tranqüilidade total em Seogwipo e, por esta razão, proibiu os jogadores de qualquer contato com jornalistas e torcedores, ao contrário do que acontecia em Ulsan. O Paradise é um resort, cujas acomodações estão reservadas exclusivamente para a delegação brasileira. Até mesmo integrantes do staff oficial de apoio ao time encontrava dificuldades para entrar no local, precisando de muitas conversas ao telefone e idas e vindas dos cadetes da polícia para conseguir a liberação.


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Quem não gostou do rigor da segurança foi a torcida. Vários brasileiros passaram pelo local, mas foram embora logo que souberam que não haveria a menor possibilidade de fotos ou autógrafos. Um grupo de paulistas não escondia a decepção. “Não vamos perder tempo aqui”, diziam entre surpresos e decepcionados com o fim da regalia que estavam acostumados a encontrar na concentração de Ulsan. Mas até na cidade que acolheu o Brasil o ambiente já está mudando nos últimos, por causa do descontentamento da Fifa com a situação.


E a tendência é que a situação piore cada vez mais a partir da segunda fase. Depois de jogar com a China, o time volta a UIsan, onde fica mais quatro dias até se ir para Suwon, palco do confronto com a Costa Rica. A partir daí os jogos serão todos no Japão, exceto se o Brasil perder na semifinal. Neste caso, o time teria de voltar a Coréia, mais especificamente a Daegu, para disputar o 3º lugar.