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22ª Semana Estado de Jornalismo discute era pós-digital

Carla Miranda

21 Outubro 2014 | 20h20

Por Diego Moura

O auditório do Estado ficou pequeno para os mais de 200 alunos que participaram hoje (21) do primeiro dia da 22ª Semana Estado de Jornalismo, na sede do jornal, em São Paulo. Com faculdades de jornalismo de todo o Brasil, o tema do encontro deste ano é “Jornalismo Pós-Digital”.

A primeira parte do evento trouxe como mote “O jornalismo e os novos formatos de publicação”. O diretor de conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, abriu o ciclo de palestras com uma definição para o fazer jornalístico e trouxe um panorama das transformações tecnológicas na área. “Esse é o tripé do jornalismo: atitude, método e domínio da narrativa”, disse. Segundo ele, a “tecnologia é fantástica, mas não pode atrapalhar a nossa capacidade de observação”.

Na sequência, o pesquisador da Universidade de Columbia Alexander Howard falou aos futuros jornalistas sobre o crescimento da participação do público na produção de conteúdo. Isso, na visão dele, aumenta a responsabilidade do profissional frente à contextualização e à checagem das informações. “Quando se perde credibilidade, não há volta”, pontuou. Além disso, o jornalista não pode deixar de lado quem está offline.”Jornalismo multimídia tem espaço, mas não se pode esquecer de quem tem pouco acesso a ferramentas tecnológicas.”

Para encerrar as atividades da primeira etapa do evento, o mestre em Jornalismo Digital do Instituto Internacional de Ciências Sociais, Sérgio Ludtke, tratou da importância em considerar as características do meio digital, os recursos disponíveis e as plataformas utilizadas para construir reportagens. Pensar “notícia e informação” como startup, nos meios e redes sociais, porém, não pode alterar as características elementares da profissão. “Jornalismo é acreditar e duvidar sempre.” E a apuração é crucial para isso: “Estamos cercados de armadilhas em redes sociais”, ressaltou.

Narrativas digitais.  Temática abordada na segunda parte do encontro, as novas ferramentas abrem espaço para a produção de reportagens e infográficos cada vez mais interativos. Um dos idealizadores do site Jornalismo Digital.org, Felipe Lavignatti, e o editor de infografia do New York Times, Sérgio Peçanha, trouxeram exemplos de conteúdos criados com base em novos recursos em plataformas digitais. A conversa foi mediada pelo responsável pela Infografia do Estado, Fabio Sales.

“Você tem que fazer o infográfico de maneira intuitiva, mas não só para você mesmo”, explicou Peçanha. Além disso, todos concordaram que a informação deve guiar essas produções; elas são, antes de tudo, recursos para contar histórias. Fabio Sales reforçou que, também nessa área, a vontade de aprender é fundamental.

Para fechar o primeiro dia da Semana Estado, o vice-presidente Executivo de Comunicação, Marketing, Relações Institucionais e Sustentabilidade do Grupo Santander Brasil, Marcos Madureira, elogiou a atuação da imprensa como instituição transformadora da sociedade brasileira. Ele ressaltou, ainda, o incentivo aos alunos para que enviem seus trabalhos e concorram a uma bolsa de estudos de seis meses na Universidade de Navarra.