Debate sobre refugiados e crise humanitária abre o último dia da Semana Estado
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Debate sobre refugiados e crise humanitária abre o último dia da Semana Estado

Carla Miranda

21 Outubro 2016 | 16h44

Por Sara Abdo

O primeiro debate desta sexta-feira, 21, quarto e último dia da Semana Estado de Jornalismo, foi sobre a cobertura da imprensa na crise dos refugiados e questões humanitárias. O tema foi discutido pelas jornalistas Claudia Antunes, do Médico Sem Fronteiras e Letícia Duarte, do jornal Zero Hora, no Rio Grande do Sul.

Letícia Duarte, repórter especial do Zero Hora, e Claudia Antunes, coordenadora de comunicação do Médicos Sem Fronteira no Brasil

Claudia apresentou o Médico Sem Fronteira (MSF) como uma associação que presta ajuda humanitária de caráter emergencial em momentos mais críticos. Como exemplo de atuação, a jornalista citou o furacão Matthew, que alcançou o Haiti em meados de outubro. “O MSF é uma ajuda em momento de crise humanitária que faz com que a sociedade atingida perca a capacidade de atender sua população”.

A jornalista disse ainda que a associação não é uma ajuda para a construção da sociedade, e dura por um período determinado. Segundo Claudia, a atuação do MSF vem para ajudar a população atingida a compreender o que vão fazer, como sociedade, no futuro. “A ideia nunca é ficar para sempre ou substituir a comunidade médica daquele lugar”, complementou Claudia.

O MSF atua em zonas de epidemia, conflito e desastre natural, e está presente em 70 países. Entre as regiões mais atendias, estão a África e o Oriente Médio, onde a atuação foi intensificada após a invasão dos EUA no Iraque e agravamento do conflito na Síria e no Afeganistão. O MSF também participa ativamente das operações do mediterrâneo para ajudar na crise dos refugiados, agravada em 2015.

Sobre o tema dos refugiados, a repórter especial Letícia Duarte, relatou sua experiência ao cobrir a travessia de uma família da Turquia para a Europa. O objetivo era tentar fazer a mesma rota que a família do menino Alan Kurdi, que afogou na beira do mar, não conseguiu fazer.

Letícia contou que tinha duas semanas para produzir a matéria a partir do dia que chegasse na Grécia, de onde deveria chegar até a Alemanha. Depois de entender que o melhor seria escrever uma reportagem diferente das já publicadas, decidiu tentar acompanhar uma família durante a travessia, e conseguiu. Segundo a jornalista, o maior desafio era ao tentar retratar a realidade e o dia a dia dos migrantes como ela é era não fazer parte daquela experiência deles. “Até que ponto a gente consegue ficar fora da cena?”

Uma das maiores surpresas de Letícia foi a solidariedade entre todos, em plena crise. Segundo a jornalista, em uma das travessias ela se questionou se deveria estar ali. “A minha presença como jornalista poderia tirar a cadeira ou a comida de alguém”.

De volta ao Brasil, Letícia escreveu sobre a crise do refugiados que acompanhou de perto, junto à família. Em 16 páginas do jornal Zero Hora, publicadas em outubro de 2015, a repórter especial contou que a família que acompanhou chegou à Alemanha sem grandes problemas. Sobre o que tirou da experiência, que Letícia considera intensa, ela disse: “essa viagem me trouxe muitas reflexões, tanto sobre o papel de repórter quanto de como vemos a questão dos refugiados”.