A difícil escolha das palavras
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A difícil escolha das palavras

Redação

05 Novembro 2010 | 16h16

A soma das palavras constrói as notícias. Usamos o abstrato para falar sobre o concreto, o que estava lá, o que aconteceu. O difícil processo de escolha das palavras define a informação a ser transmitida ao leitor. Um bom texto passou por esta rigorosa seleção em cada frase e guia a leitura naturalmente, como se os olhos navegassem sobre o papel.

Na definição de Chico Ornellas, coordenador do curso, não podemos escrever no jornal o que não diríamos para o nosso namorado ou namorada. O texto deve ter simplicidade e ritmo. Para começar, elimine os “quês”. Muitas vezes eles podem ser substituídos por um novo sujeito ou formar uma frase com outro tempo verbal. Depois, reavalie os “és”. Recomenda-se usar verbos mais ricos e informativos.

Carla Miranda, editora do suplemento Viagem e do caderno dos focas, faz outra orientação: evite as metáforas nos objetos inanimados. O sofá da sala não “recebe” os visitantes, assim como as árvores do quintal não “observam” a quem chega.

De Paco Sánchez, a última dica deste post: não existem sinônimos. Cada palavra tem um significado único e uma razão fundamental de estar ali. Ao tentar descobrir o valor de cada uma, com a humildade de quem ainda sabe pouco, os focas aperfeiçoam a sua escrita. O objetivo é que, um dia, nossas palavras fluam tão naturalmente, que nosso texto, mesmo sem refrão e rimas, toque ao leitor como uma música.

Daniela Schmid, de 23 anos, é formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)